segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Ramos-Horta e a traição de querer tornar o indonésio língua oficial

Zizi Pedruco

É curioso, para não dizer inquietante, assistir a Ramos-Horta, Presidente da República e suposto guardião da Constituição, a propagar a ideia da língua indonésia como língua oficial de Timor-Leste.

Vindo de quem jurou defender a Constituição, esta sugestão soa menos a visão de futuro e mais a um “lapso” de memória histórica, ou a uma manobra política fria, típica do mais puro maquiavelismo.

A Constituição não é meramente um  texto decorativo, nem algo adaptável às conveniências dos políticos. É clara e inequívoca: Timor-Leste tem duas línguas oficiais, o tétum e o português. Qualquer tentativa de reescrever este princípio à margem do texto constitucional não é modernização, é violação constitucional. E quando essa violação parte do próprio Chefe de Estado, o problema deixa de ser linguístico para se tornar institucional.

Aprender indonésio pode ser útil, sem dúvida, tal como aprender inglês, mandarim ou coreano. Mas a utilidade prática nunca foi critério para tornar uma língua oficial. Se assim fosse, a Constituição já teria sido substituída por um guia de conveniências políticas. As línguas oficiais existem para preservar a nossa história, identidade e resistência, valores que, ao que parece, alguns preferem ignorar e reescrever a história, para satisfazer os seus egos narcisistas, caso de Ramos-Horta e Xanana Gusmão. 

Há um cinismo particular de contradição em propor como língua oficial a língua do antigo invasor, o mesmo regime que assassinou mais de 200 mil timorenses. Esta proposta é feita precisamente por quem construiu parte do seu prestígio político com a postura de resistência à ocupação Indonésia e respeito pelo Direito Internacional. Não é apenas incoerente, é politicamente desconfortável, moralmente questionável, e, diria mesmo, vergonhoso, criminoso até. Mais uma traição de Ramos-Horta contra o povo timorense.

Talvez fosse mais prudente recordar que o maior entrave ao desenvolvimento de Timor-Leste não reside no número de línguas oficiais, mas na fragilidade das instituições, na corrupção, no nepotismo, no conluio com interesses obscuros e no silêncio cúmplice do Presidente da República em torno de redes criminosas que continuam a operar impunemente em Timor-Leste, a começar pelo próprio governo de Xanana Gusmão.

Defender a Constituição começa por respeitá-la, sobretudo quando se ocupa o mais alto cargo da República Timorense.

Vergonha absoluta, Ramos-Horta. Vergonha absoluta.

Ver o vídeo aqui. 

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

PORQUE NÃO TE CALAS, ROSA HORTA-CARRASCALÃO?


Zizi Pedruco 

Morreu Alarico Fernandes. Para quem não sabe, ele era o meu tio, irmão mais velho da minha mãe. Não o via ou falei com ele há mais de 50 anos; a última vez que o encontrei foi no aeroporto de Díli, no dia 1 de agosto de 1975, quando ia embarcar para Portugal para tratar da minha asma.

Não venho aqui brincar de advogada do diabo nem defender o meu tio Mano, era assim que o chamávamos. Venho, sim, demonstrar o meu repúdio e nojo pelas publicações que a Rosa Carrascalão, irmã de Ramos-Horta, colocou no Facebook, em que chama o meu tio de assassino.

Vi dezenas de publicações de pessoas  a insultar o meu tio após a sua morte e eu  não disse nada. Eu cresci longe dos Fernandes e perto dos Pedrucos, por isso ouvi muitas histórias sobre o meu tio  de pessoas afetas à UDT, a maioria dos amigos do meu pai. Como dizia a minha avó Maria: “Tu és da má raça”, referindo-se à família Pedruco, isso mesmo, avó!

A minha mãe ficou triste com o que viu, mas eu disse-lhe que teria de aceitar e compreender o sofrimento de outras pessoas, das suas famílias e os traumas causados pelo irmão. Não há outra forma de continuar o processo de luto sem aceitarmos que haja acusações ao meu tio.

Dentro da minha própria casa, um familiar de alguém que me é próximo recusou-se a receber-me porque perdeu os filhos em Aileu. Eu disse ao meu marido: eu faria o mesmo, eu compreendo. Também tenho filhos e nem consigo imaginar a dor desta senhora.

Não vale tudo na guerra. Uma vez, uma senhora contou-me uma história tão horrível sobre o meu tio que não consegui dormir durante dias. Ainda hoje tremo ao lembrar-me.

Mas insurjo-me contra as publicações da Rosa Carrascalão, porque as considero irónicas e patéticas. Ela foi casada com João Carrascalão, para mim o maior carrasco da história de Timor-Leste. Foi ele quem chamou os indonésios, quem começou a guerra civil, quem cavou o caminho para a integração indonésia, causando a invasão de 7 de dezembro de 1975 e a morte de mais de 200 mil timorenses. Tenho a certeza de que João Carrascalão não passou pelo purgatório, foi direitinho para o Inferno.

Cala-te, Rosita! Tu, tal como a família Fernandes, também tens telhados de vidro, oh, se tens!

Foi pena que, quando o meu pai e a minha mãe vos pagavam, a ti e ao teu marido,  almoços e jantares, enquanto os chulavas, nunca tivesses trazido o Alarico Fernandes para a mesa. És uma oportunista, tu e a tua cambada! Lembras daquela vez que o meu pai vos levou para um restaurante, “O Tachadas”, em 1994? Eu estava em casa dos meus pais quando vocês lá apareceram e o meu pai  levou-vos para almoçar. Eu não fui convosco, nunca gostei de ti, sempre te achei cínica, sacana, impressões minhas!

Quando vocês voltaram do restaurante, o teu marido de repente ficou pálido e começou a esbracejar super nervoso, tinha esquecido no restaurante a mala dele.  Ainda te lembras o que estava dentro da mala, ou estás a fazer-te esquecida? Pois… a mala estava cheia de dinheiro. Até hoje pergunto a mim mesmo como é que um casal que vivia em Cabramatta tinha tanto dinheiro? Tu lá sabes, eu não faço acusações como tu, só perguntas. Recuperaram a mala, mas apanhaste um susto, não foi, Rosinha? Tanto dinheiro…

Enquanto chulavas os meus pais, não te vi preocupada com o Alarico Fernandes. Um bocadinho de amizade  e solidariedade para com a minha mãe, que sempre foi vossa amiga, fazia de ti uma grande pessoa. Mas como eu digo, tu és mesmo uma mulher que não vale nada, nem para mulher a dias serves; não fosse Timor e estavas a limpar casas de banho, se calhar nem isso! Pessoas como tu não prestam mesmo. Pela minha mãe, pelos anos que vos pagou almoços e jantares, pelo prato onde comeste, devias ter tido mais consideração, não pelo meu tio, mas pela minha mãe! És pior que Satanás, és nojenta!

Já agora, e aquela história de ser procurador , detenção em Sydney e supostas acusações de roubo, como ficamos? E aquelas alegações de um crime supostamente cometido pelo teu irmão Zé contra uma rapariga menor durante a guerra civil, se forem verdade, o Zezinho também vai direitinho para o Inferno fazer companhia ao teu marido. Conta lá no teu Facebook também, Rosinha, conta lá! Hmmmm… isso já não deves querer contar…Cobardolas! 

PORQUE NÃO TE CALAS, SUA DESCARADA?

André Ventura acusa timorenses e indianos de transformar Portugal numa “selva”

Zizi Pedruco 

O candidato à Presidência da República de Portugal  pelo partido Chega afirmou hoje, numa publicação no Facebook, que os timorenses estariam a contribuir para transformar Portugal numa “selva”.

Num vídeo divulgado na mesma rede social, acusa timorenses e indianos de estarem envolvidos em confrontos em Fátima e defende que é necessária uma mudança no país para pôr fim ao que classifica como uma “selva”.

“Indianos e timorenses à luta em Fátima. É preciso parar a selva em que Portugal se está a tornar!!!”, disse.

Nos comentários, a maioria dos seguidores do candidato apelou à deportação de estrangeiros envolvidos em distúrbios.

“Eu resolvia isto num instante. Qualquer estrangeiro que criasse distúrbios era deportado e ficava impedido de voltar a entrar em Portugal!”, escreveu uma apoiante.

Embora goste muito pouco do líder do Chega, considero que a situação é, de facto, preocupante. As autoridades - palavra que até me custa usar quando penso em figuras como o palhaço Ramos-Horta e o corrupto Xanana Gusmão - têm o dever de atuar, pelo bom nome dos timorenses e de Timor-Leste.

Uma amiga minha  timorense, que regressou recentemente de Timor-Leste, contou-me que “os jovens estão perdidos, sem perspetivas de futuro, e que a violência nesta faixa etária tem vindo a aumentar no território".

Não me surpreende, por isso, que a nossa juventude esteja cada vez mais violenta e sem rumo. A culpa não é deles, mas de quem desgoverna Timor-Leste há décadas, saqueando os cofres do Estado para benefício próprio e dos seus familiares. Um dos casos mais gritantes é o da irmã mais nova de Ramos-Horta, Licinia Ramos-Horta, que abandonou o seu trabalho em Portugal para assumir funções de assessora, auferindo milhares de dólares por mês. Vergonha é algo que estas figuras simplesmente não conhecem.

A emigração descontrolada e o desespero de muitos jovens timorenses não surgem do nada. São o reflexo direto de décadas de má governação, corrupção e ausência de políticas sérias de emprego e educação.

Todavia, não se vislumbra no horizonte qualquer esperança de verdadeira mudança em políticas para a juventude. Estamos perante um governo que não sabe governar e um Presidente da República que já apresenta sinais evidentes de declínio cognitivo. 

Ramos-Horta criticou duramente o governo anterior e prometeu uma mudança “radical”, mas as viagens com comitivas maiores do que as do Papa parecem ser mais apelativas do que governar o país.

Importa sublinhar que comportamentos violentos, quando existem, dizem respeito a indivíduos concretos e nunca podem ser generalizados a comunidades inteiras. Muitos timorenses vivem e trabalham honestamente em Portugal há décadas e não podem ser confundidos com atos isolados.

Podem ver o vídeo aqui.