sexta-feira, 30 de setembro de 2022

A maldita hipocrisia dos governantes timorenses no caso Ximenes Belo e outros pedófilos



Zizi Pedruco

Chamar de governantes a esta  matilha – estou a perder a pratica de insultar estes animais- é ser meiga, mas são sim uma quadrilha que desgoverna este país há vinte anos, eles governam sim, em redor do seu próprio umbigo, metem nojo aos cães, para ser honesta.

O insustentável silêncio desta quadrilha relativamente aos alegados casos de violação por parte do antigo Bispo de Díli é ensurdecedor e demonstra bem que se protegem uns aos outros e são coniventes com alegados criminosos em prol da estabilidade (podre) de um país onde apenas os membros da quadrilha, seus familiares e amigos são considerados cidadãos, porque o povo, esse...só serve mesmo para ser roubado e despojado de todos os seus legítimos direitos como cidadãos timorenses. 

Só Mauk Moruk não teve a sorte de ser protegido, com ele falaram com a linguagem de criminosos, balas, assassinato. A presunção de inocência só se aplica aos membros da quadrilha que desgoverna Timor, a quem lhes incomoda, balas, perseguições e ameaças são as armas utilizados pelos míticos heróis timorense, valentes fraudes são o que eles são, só isso mesmo. Assassinos!

Disse o pretensioso diplomata e Presidente da República de Timor-Leste que só falaria depois da Santa Sé se pronunciar, então devia já ter falado qualquer coisinha uma vez que o Vaticano já impôs sanções disciplinares a Ximenes Belo há dois anos, escreve assim a agência Lusa:” O Vaticano anunciou hoje ter imposto sanções disciplinares ao bispo timorense Ximenes Belo nos últimos dois anos, após alegações de que o Nobel da Paz teria abusado sexualmente de menores no seu país nos anos 1990.”

Alguma coisinha a dizer sobre estas sanções disciplinares impostas a Ximenes Belo ou vamos brincar a ratos de esgoto e pretender que não sabemos de nada, Ramos-Horta? Pois é, provavelmente o silêncio será o mais adequado para não se questionar a podridão que reina neste país, não é verdade, assim a quadrilha contínua o seu eterno reinado no país das maravilhas, seus canalhas!

 Na verdade, face à lei timorense os alegados crimes cometidos por Belo já prescreveram todos, quer isto dizer que o alegado pedófilo nunca será chamado para responder perante os tribunais timorenses, mas o mesmo não acontece com a Lei Canónica, estes crimes não prescrevem, Ximenes Belo pode não  se safar de ter de responder num tribunal eclesiástico, mas agora Belo cavou, escondeu-se, hmmmm, apareça homem, não se esconda, já dizia o meu pai que quem não deve não teme. Fugir e esconder-se fica-lhe muito mal, está a vestir a pele de culpado? 

Estes supostos crimes de violação praticados pelo Bispo Belo são alegações muitoooo antigas, eu tomei conhecimento delas há mais de dez anos, pela voz de um familiar muito próximo de uma alegada vitima de violação de Belo, mas acobardei-me, na minha opinião não havia como sozinha acusar o bispo e mais Prémio Nobel da Paz, eu sou aventureira, mas não sou irresponsável, pior, o gajo do Benfica (meu marido) proibiu-me de escrever sobre isso, o gajo detesta padres mas detesta mais ver-me metida em sarilhos, mas durante anos nunca parei de pensar neste rapaz que tão pequenino sofreu alegados horrores na mão de quem a mãe entregou para o proteger... 

As alegadas violações  à então criança por parte de Belo, é a história de um menino pobre, tinha 11 anos, quando mãe o entregou aos cuidados de  Belo. Segundo o familiar, um carro ia buscar a criança a casa e levava-o para a residência onde Belo morava, a mãe dava banho e vestia a criança nas melhores roupas e o rapaz seguia no carro para alegadamente ser vítima sexual do bispo Belo, não uma vez mas várias vezes. A pessoa contou-me ainda que estas violações foram documentadas num livro de um jornalista e escritor português, Pedro Rosa Mendes.

 O familiar da alegada vítima disse ainda que o falecido Bispo de Baucau, Dom Basílio do Nascimento, sabia de tudo e por diversas vezes confrontou Ximenes Belo. 

 Agora vamos acreditar que esta quadrilha que desgoverna o país não sabia nada destas alegações de violação sexual contra Ximenes Belo? Sacanas! Hipócritas! 

 PQP!

 Mas isso não é tudo, imaginem que tenho ainda mais alegações de violação sexual e não são contra Ximenes Belo, eu explico...

Ontem à noite chegou-me um e-mail, de uma pessoa idónea, devidamente identificada a informar-me de mais um alegado crime de violação cometido por um atual governante timorense, tive de respirar fundo para “digerir” o conteúdo das acusações contra este governante sénior timorense. 

A pessoa que me escreveu o e-mail alega que o alto governante timorense violou uma menina de 12 anos em 1975, num conhecido hotel timorense, diz a pessoa que os presentes e os governantes anteriores são cúmplices deste alegado violador. 

O nome do governante foi-me dado e eu até tive de respirar fundo. Parece verdadeira a história, um deja vu para mim. Fez-me lembrar o que me foi contado sobre as supostas violações de Belo e o meu cobarde silêncio de mais de dez anos. 

A ser verdade, e se forem devidamente investigadas as alegadas violações a uma menina de 12 anos em 1975, num hotel em Díli, isto vai ser outra “bomba” para os timorenses bem como uma valente vergonha, mais uma a juntar ao curriculum de vergonha que esta quadrilha que nos desgoverna nos faz passar constantemente. Porcos! Nojentos! 

A lei em Timor é uma falácia, apenas funciona para os cidadãos mais fracos, mais vulneráveis, os mesmos que precisariam de mais proteção do Estado, mas a quadrilha protege-se apenas a si e aos seus.

Até quando o povo timorense tem de se sujeitar à maldita hipocrisia desta quadrilha que lhes desgoverna, até quando? 

Nota do blogue: Taur Matan Ruak não é o alegado governante que supostamente violou a menina em 1975, gostei da foto, mostra bem  a conivência entre eles...

"Rumores de que o Bispo Ximenes Belo era pedófilo eram sussurrados por alguns, poucos, timorenses mais arrojados"


O Regiões - Crónica de Manuela Teixeira

Caiu o segredo mais bem guardada de Timor Leste. Há 22 anos, quando estive pela primeira vez em Timor, os rumores de que o Bispo Ximenes Belo era pedófilo eram sussurrados por alguns, poucos, timorenses mais arrojados. Em surdina, sem provas, sem rostos, sem nomes. Era um segredo proibido. Muito proibido. 

D. Ximenes Belo era não só um líder religioso, também um líder político, um líder da independência e Prémio Nobel da Paz em 1996. Era ainda um homem temido pelo católico povo timorense. Diziam alguns, entre risadinhas, que “ele gostava de meninos”. Nunca ouvi a palavra ‘pedófilo’, porque poucos a conheciam. 

Mas quando se tentava saber mais, calavam-se e nunca mais tocavam no assunto. Nós, alguns dos jornalistas portugueses, ainda perseguimos o rumor até esbarrar-mos sempre com um silêncio ameaçador. Nenhum outro líder timorense se atreveu a falar do assunto. E quem falava, desmentiria, caso a notícia fosse avançada. 

Com a presença constante dos jornalistas portugueses em Timor, o bispo Belo começou a ficar nervoso e irritado. Tentou várias vezes calar a comunicação social, quando se noticiava algumas das atitudes dele.

Já em 2002, a dada altura, nas missas, atacou as ONGs que trabalhavam com o planeamento familiar, e a imprensa questionou-o. Ele irritou-se demasiado e depois de negar acabou a defender o “coito interrompido”. Acusava os estrangeiros de levarem para Timor “a pouca-vergonha, a indecência, as modas nada católicas”. 

Ganhou um odiozinho de estimação ao jornalista-correspondente da Lusa, António Sampaio, que publicava as azias do bispo Belo, chegando mesmo a lançar ameaças que até Ramos Horta levou a sério, tendo tomado medidas de proteção á casa da Lusa, onde vivia a família Sampaio. 

Estávamos perto da Independência, quando o bispo começou a revelar medo dos jornalistas que estavam em Dili há muito tempo. 

Depois de 20 de maio de 2002, dia em que nasceu o país Timor Leste, Ximenes Belo não demorou muito tempo a deixar a ilha. Andou muito por aqui, por Portugal, mas pouco apareceu em público. Refugiou-se nos Salesianos, em Lisboa e agora, que o escândalo das suas práticas pedófilas veio a público, desapareceu. Ninguém sabe onde está o bispo Ximenes Belo. 

Em Timor, o silêncio continua. O presidente Ramos Horta, que se saiba, nada disse. E nem o desbotado líder histórico Xanana Gusmão abre a boca. 

Como se ainda vivessem nas montanhas nos tempos da resistência, os líderes protegem-se ainda uns aos outros. 

Também o Vaticano conseguiu guardar o segredo até estes dias de finais de setembro de 2022. 

Agora o segredo caiu e tenho a certeza que o povo timorense está aliviado deste pesadelo. E eu só lamento não ter conseguido provas para contar esta história quando estive em Timor, há mais de 20 anos.

quinta-feira, 29 de setembro de 2022

Vaticano impôs sanções disciplinares a Ximenes Belo há dois anos


Mundo Ao Minuto/Lusa

O Vaticano anunciou hoje ter imposto sanções disciplinares ao bispo timorense Ximenes Belo nos últimos dois anos, após alegações de que o Nobel da Paz teria abusado sexualmente de menores no seu país nos anos 1990.

Em comunicado, o porta-voz do Vaticano diz que o gabinete que lida com casos de abuso sexual recebeu alegações "sobre o comportamento do bispo" em 2019 e, no prazo de um ano, tinha imposto sanções.

Estas sanções incluem limites aos movimentos do bispo e ao exercício do seu ministério, bem como a proibição de manter contactos voluntários com menores ou com Timor-Leste.

Estas medidas foram "modificadas e reforçadas" em novembro de 2021 e em ambas as ocasiões Ximenes Belo aceitou formalmente o castigo, acrescenta-se no comunicado, do porta-voz Matteo Bruni.

O jornal holandês De Groene Amsterdammer publicou na quarta-feira testemunhos de alegadas vítimas de abusos sexuais, quando eram menores, crimes que terão sido cometidos durante vários anos pelo bispo, ex-administrador apostólico de Díli e Nobel da Paz.

Na sua edição 'online', o jornal explica ter ouvido várias vítimas e 20 pessoas com conhecimento do caso, incluindo "individualidades, membros do Governo, políticos, funcionários de organizações da sociedade civil e elementos da Igreja".

"Mais de metade das pessoas pessoalmente conhecem uma vítima dos abusos e outros têm conhecimento do caso. O De Groene Amsterdammer falou com outras vítimas que recusaram contar a sua história nos 'media'", refere a jornalista Tjirske Lingsma.

O jornal explica que as primeiras investigações a este alegado abuso remontam a 2002, quando um timorense denunciou que o seu irmão era vítima de abusos.

Em novembro desse ano, Ximenes Belo anunciou a sua resignação do cargo, alegando problemas de saúde e a necessidade de um longo período de recuperação.

"Estou a sofrer de fadiga mental e física, o que requer um longo período de recuperação", referiu Ximenes Belo, num comunicado em que informava ter escrito à Santa Sé solicitando a renúncia do cargo de administrador apostólico de Díli, função que exercia desde 1983.

"Tenho vindo a sofrer de esgotamento, cansaço físico e psicológico, pelo que necessito de um longo período de repouso em vista de uma recuperação total da minha saúde", referia o comunicado, citado então pela Lusa.

Ximenes Belo, hoje com 74 anos, explicou que o seu pedido - escrito com base no Cânone 401 do código de direito canónico - foi aceite pelo então papa João Paulo II.

Na quarta-feira, o representante do Vaticano em Timor-Leste disse à agência Lusa que o caso estava com os órgãos competentes da Santa Sé, sem confirmar se o prelado foi ou não investigado.

"Pessoalmente não posso nem confirmar nem desmentir porque é uma questão de seriedade da minha parte, visto a competência ser dos meus superiores na Santa Sé", disse à Lusa Marco Sprizzi, representante do Vaticano em Timor-Leste.

"Esta questão deve ser dirigida diretamente à Santa Sé", referiu, questionado sobre a veracidade das denúncias de alegados abusos de menores cometidos ao longo de vários anos por Ximenes Belo, atualmente a residir em Portugal, que foram publicadas pelo jornal holandês.

Salesianos manifestam "tristeza e perplexidade" face a suspeitas de abuso que envolvem Ximenes Belo


RTP/LUSA

A Província Portuguesa da Sociedade Salesiana disse hoje ter sido "com profunda tristeza e perplexidade" que teve conhecimento das notícias acerca de suspeitas de abusos sexuais de menores envolvendo o bispo Ximenes Belo, antigo administrador apostólico de Díli, Timor-Leste.

Em comunicado, os salesianos referem que, desde que assumiu funções na diocese de Díli "como administrador apostólico e depois bispo", Carlos Ximenes Belo "deixou de estar dependente da Congregação Salesiana", tendo a Província Portuguesa, "a pedido dos seus superiores hierárquicos", recebido o prelado "como hóspede durante os últimos anos".

"Desde que se encontra em Portugal não tem tido quaisquer cargos ou responsabilidades educativas ou pastorais ao serviço da nossa Congregação", asseguram os salesianos, adiantando que "o pedido de hospitalidade" foi "aceite com toda a naturalidade por se tratar de uma pessoa conhecida e estimada por todos".

Sobre as suspeitas de abusos vindas a público na quarta-feira, os salesianos em Portugal afirmam não terem conhecimento para se pronunciarem, remetendo para quem tem essa competência e conhecimento.

O jornal holandês De Groene Amsterdammer publicou na quarta-feira testemunhos de alegadas vítimas de abusos sexuais, quando eram menores, crimes que terão sido cometidos durante vários anos pelo ex-administrador apostólico de Díli e Nobel da Paz Ximenes Belo.

Na sua edição online, o jornal explica ter ouvido várias vítimas e vinte pessoas com conhecimento do caso, incluindo "individualidades, membros do Governo, políticos, funcionários de organizações da sociedade civil e elementos da Igreja".

"Mais de metade das pessoas pessoalmente conhecem uma vítima dos abusos e outros têm conhecimento do caso. O De Groene Amsterdammer falou com outras vítimas que recusaram contar a sua história nos media", referia a jornalista Tjirske Lingsma.

O jornal explicava que as primeiras investigações a este alegado abuso remontam a 2002, quando um timorense denunciou que o seu irmão era vítima de abusos.

Em novembro desse ano, Ximenes Belo anunciou a sua resignação do cargo, alegando problemas de saúde e a necessidade de um longo período de recuperação.

"Estou a sofrer de fadiga mental e física, o que requer um longo período de recuperação", referiu Ximenes Belo, num comunicado em que informava ter escrito à Santa Sé solicitando a renúncia do cargo de Administrador Apostólico de Díli, função que exercia desde 1983.

"Tenho vindo a sofrer de esgotamento, cansaço físico e psicológico, pelo que necessito de um longo período de repouso em vista de uma recuperação total da minha saúde", referia o comunicado, citado então pela Lusa.

Ximenes Belo, hoje com 74 anos, explicou que o seu pedido - escrito com base no Cânone 401 do código de direito canónico - foi aceite pelo então papa João Paulo II.

Entretanto, o representante do Vaticano em Timor-Leste disse na quarta-feira à agência Lusa que o caso está com os órgãos competentes da Santa Sé, sem confirmar se o prelado foi ou não investigado.

"Pessoalmente não posso nem confirmar nem desmentir porque é uma questão de seriedade da minha parte, visto a competência ser dos meus superiores na Santa Sé", disse à Lusa Marco Sprizzi, representante do Vaticano em Timor-Leste.

"Esta questão deve ser dirigida diretamente à Santa Sé", referiu, questionado sobre a veracidade das denúncias de alegados abusos de menores cometidos ao longo de vários anos por Ximenes Belo, atualmente a residir em Portugal, que foram publicadas pelo jornal holandês.

Marco Sprizzi explicou que o caso "está à atenção dos Dicastérios competentes da Santa Sé e da Secretaria de Estado de sua Santidade o Papa Francisco".

O "assunto está diretamente com o Vaticano e a Santa Sé. A Igreja local e a Nunciatura não têm mais competência direta", enfatizou.

Dom Ximenes Belo desaparece após denúncias de abuso sexual


SOL-Por Felícia Cabrita e Maria Moreira Rato

Ainda a 10 de setembro, Dom Ximenes Belo, ex-bispo de Díli, celebrou uma missa na capela da residência Dom Bosco dos Salesianos – continuando a conviver com os menores do colégio. Mas ontem, de manhãzinha, as notícias sobre alegados abusos sexuais de crianças e jovens, denunciados por um jornal holandês, deixaram-no alerta. Num ápice, as suas malas acumulavam-se à porta do quarto da residência na Rua Saraiva de Carvalho e, até agora, o seu paradeiro é desconhecido.

Fontes contactadas pelo i dizem que a mudança foi repentina, sem que nada a fizesse prever. Dom Ximenes Belo saiu de Timor em 2002, mas não devido às explicações que deu. A resignação do cargo de Bispo de Díli apanhou então todos de surpresa. Na altura, em comunicado, o antigo bispo anunciou a sua resignação alegando problemas de saúde e a necessidade de um longo período de recuperação.

A sua obra em prol dos timorenses foi reconhecida quando, juntamente com José Ramos-Horta, foi galardoado com o Prémio Nobel da Paz em dezembro de 1996. Contudo, viria a abandonar o cargo por ordens do Vaticano exatamente devido a denúncias de abusos sexuais de menores, como confirmou o i junto de um padre jesuíta em Timor.

Tal como confirmou Marco Sprizzi, representante máximo do Papa e do Vaticano em Timor-Leste, à agência Lusa, nesta quarta-feira, explicando que o caso está com os órgãos competentes da Santa Sé, não indicando se o prelado foi ou não investigado.

“Eles estão a examinar este artigo e o seu conduto e de outros que estão a ser publicados neste momento e, a partir disto, qualquer resposta virá diretamente da Santa Sé”, explicou, acrescentando que “a Igreja local e a Nunciatura não têm mais competência direta”, referindo-se aos testemunhos de supostas vítimas que foram publicados pelo jornal holandês De Groene Amsterdammer.

Este órgão de informação asseverou que entrevistou vítimas que terão sido abusadas sexualmente nas décadas de 1980 e 1990, assim como vinte pessoas com conhecimento do caso, incluindo “individualidades, membros do Governo, políticos, funcionários de organizações da sociedade civil e elementos da Igreja”. “O Paulo e Roberto”, as duas alegadas vítimas entrevistadas para o artigo, “conhecem outras vítimas”, referia o jornal, um dos principais da Holanda.

Inclusivamente, sabe-se que o início da investigação remonta ao tempo em que um timorense denunciou que o seu irmão havia sido violado.

Colégio “despista” jornalistas “Mais de metade das pessoas conhecem pessoalmente uma vítima dos abusos e outros têm conhecimento do caso. O De Groene Amsterdammer falou com outras vítimas que recusaram contar a sua história nos media”, escreveu a jornalista Tjirske Lingsma.

Mas o Colégio dos Salesianos de Lisboa, que prepara um comunicado à imprensa, “despista” os jornalistas. A própria telefonista, ao ser-lhe pedido que encaminhasse a chamada para a direção, garantiu relativamente ao desaparecimento: “Já sei que me vai perguntar se Dom Ximenes Belo está aqui. Não, não está” e lamentou não “ter mais informação” para avançar.

Já em 2020, em declarações à Lusa, um elemento superior da Igreja Católica em Díli, que pediu que a sua identidade não fosse revelada, escusou-se a revelar se houve ou não uma demissão formal de Ximenes Belo pelo então Papa João Paulo II.

Por outro lado, a 27 de novembro de 2002, o Vaticano confirmou, por meio da gazeta L’Osservatore Romano, que “o Santo Padre aceitou a renúncia do ofício de Administrador Apostólico ‘Sede vacante et ad nutum Sanctae Sedis’ de Díli (Timor Oriental), apresentada por sua excelência reverendíssima, monsignor Carlos Felipe Ximenes Belo, bispo titular de Lorium, em conformidade com o cânone 401.2 do Código de Direito Canónico”.

Peraih Nobel Perdamaian Uskup Belo dari Timor Leste Dituding Lecehkan Anak Laki-laki


Reporter Daniel Ahmad - Editor Dewi Rina Cahyani

TEMPO.CO, Jakarta - Carlos Filipe Ximenes Belo atau Uskup Belo dari Timor Leste dilaporkan telah melakukan dugaan pelecehan seksual kepada anak laki-laki. Korban berinisial P, yang saat ini berusia 42 tahun menceritakan apa yang dialaminya di sekitar umur 15.

Majalah De Groene Amsterdammer mewartakan, suatu hari Uskup Belo mengundang P ke kediamannya setelah dia menghadiri misa yang dipimpin sang uskup. P yang tidak menaruh curiga apa-apa mengaku terhormat dengan ajakan Belo itu dan memutuskan datang ke alamat yang ada di jalan pesisir Dili dengan pemandangan laut yang indah itu.

Uskup Belo disebut membawa P ke kamarnya di suatu malam dan terjadi dugaan pelecehan seksual tersebut. Setelah mengalami kejadian itu, P mengaku diberi uang.

"Di pagi hari saya lari cepat. Saya sedikit takut. Saya merasa sangat aneh," kata P seperti dikutip, Rabu, 28 September 2022.

Kejadian itu berlaku satu kali kepada P. Tapi korban lainnya, R, juga mengaku mengalami pelecehan yang sama. R yang saat itu masih berusia 14 tahun menyatakan mendapat pelecehan saat Uskup Belo mengunjungi kota tempat dia tinggal.

Sama halnya dengan P, R diminta datang oleh uskup ke biara dan saat malam tiba dia membawa korban ke kediamannya. Setelah mendapat pelecehan R juga mengaku diberikan uang yang dia anggap sebagai tutup mulut.

Berdasarkan investigasi De Groene, jumlah korban Uskup Belo diduga lebih banyak lagi. De Groene berbicara dengan dua puluh orang yang mengetahui kasus ini seperti pejabat tinggi, pejabat pemerintah, politisi, pekerja LSM, orang-orang dari gereja dan profesional.

Lebih dari separuh dari mereka secara pribadi mengenal seorang korban, sementara yang lain tahu tentang kasus tersebut dan sebagian besar membahasnya di tempat kerja. De Groene juga berbicara dengan korban lain yang tidak mau menceritakan kisah mereka di media. 

Pelecehan seksual berlangsung dalam jangka waktu yang lama. Tuduhan P dan R mengacu pada tahun 90-an. 

Takhta Suci, lembaga-lembaga gereja Katolik yang bertanggung jawab termasuk Dikasteri untuk Ajaran Iman (DDF), kardinal Virgílio do Carmo da Silva di Dili dan rektor mayor Kongregasi Salesian, belum menanggapi mengenai masalah ini. Uskup Belo mengangkat telepon De Groene, tetapi kemudian segera menutupnya.

Uskup Carlos Filipe Ximenes Belo bukan hanya pemimpin kuat gereja Katolik Roma Timor-Leste, tetapi juga pahlawan nasional dan mercusuar harapan bagi rakyatnya. Pada 1996, Belo menerima Hadiah Nobel Perdamaian, bersama dengan aktivis dan diplomat José Ramos-Horta, presiden Timor-Leste saat ini. 

Baca: Eks Menlu Timor Leste: Singapura Jadi Salah Satu Penghambat Masuk ASEAN

DE GROENE AMSTERDAMMER

‘They will investigate deeply’: Nobel Peace Prize winner accused of child abuse


The Sydney Morning Herald- Chris Barrett - September 29, 2022 

Singapore: The Nobel Prize-winning former head of the Roman Catholic church in East Timor has been accused of sexually abusing boys during the country’s independence struggle in the 1990s.

The Vatican will investigate the claims made against Bishop Carlos Felipe Ximenes Belo in a report by Dutch news magazine De Groene Amsterdammer, a representative in East Timor said.

The publication quoted two men who alleged that as teenagers, between the ages of 14 and 16, they were sexually abused by Belo at his residence in Dili and then paid money by the bishop.

“He knows that the boys have no money. So when he invited you, you came over and gave you some money,” the report quoted one of the alleged victims as saying. “But meanwhile you are a victim. That’s the way he did.”

Belo, 74, a revered figure in deeply Catholic East Timor who shared the Nobel Peace Prize in 1996 with current Timorese President Jose Ramos-Horta, hung up the phone immediately when approached by the magazine for comment.

But the allegations contained in the report would be investigated by the Vatican, said Marco Sprizzi, its representative in East Timor.

“Pope Francis is so much engaged in zero tolerance so no doubt after an article like that, they are investigating and they will investigate deeply,” he told The Sydney Morning Herald and The Age. “I’m sure 100 per cent of that.”

Belo, who now lives in Portugal, became a Timorese hero during the Indonesian occupation and was awarded the Nobel Prize for his non-violent resistance.

In September 1999, he was evacuated on an RAAF plane to Darwin as pro-Indonesia militia attacked his home, where 5000 people had sought refuge from violence in the aftermath of the East Timor independence vote.

He returned to Dili before resigning from his post with the church, citing health reasons, in 2002, and leaving to work as an assistant priest in Mozambique.

Last December, East Timor was shaken by the trial of defrocked American priest Richard Daschbach, who was found guilty of child sex abuse and sentenced to 12 years in jail.

Daschbach, who was believed by his followers to have special powers, abused children at the shelter he ran for girls and boys in the western Timorese enclave of Oecusse for more than two decades.

The controversy surrounding his case was heightened by support shown to him from former East Timor president and prime minister Xanana Gusmao.

Sprizzi, the Vatican envoy in Dili, said on Thursday the church had not been approached by victims alleging abuse by Belo but took such claims very seriously.

“I can say that no victim ever appeared here, otherwise I would have known more,” he said.

The disgraced priest, the children’s shelter and a fight for justice in East Timor

“The church in Timor-Leste in the last six months approved the guidelines for the protection of minors after a deep study of other guidelines in other countries including Australia and the United States.

“The church is very much engaged now in the protection of minors and if any victims would have appeared, they are obliged, bishops and everybody, to receive, to protect to encourage them, also to denounce [the abuse]. This is the present attitude of the church in Timor-Leste.”

Vatican spokesman Matteo Bruni told Japanese news agency Kyodo News that he had been made aware of the Dutch magazine report containing claims of abuse by Belo and would “look into the information.”

Of East Timor’s population of 1.3 million people, 97 per cent are Catholic.

PR timorense diz que prefere esperar informação da Santa Sé sobre Ximenes Belo


VISÃO

O Presidente da República timorense preferiu hoje não comentar as suspeitas de abusos sexuais alegadamente cometidos pelo ex-administrador apostólico de Díli, Ximenes Belo, aguardando por informações da Santa Sé.

“Vi as declarações da Santa Sé, através da Nunciatura, à Lusa, e para já ficamos à espera dos próximos passos, dos próximos desenvolvimentos, por parte da entidade legitima, com credibilidade, que depois nos pode orientar sobre como gerir esta situação”, disse José Ramos-Horta, à Lusa, à chegada a Díli, depois de participar na Assembleia Geral da ONU.

“Quero esperar até novos desenvolvimentos por parte da Santa Sé”, reiterou o líder timorense, que em 1996 foi agraciado, ao mesmo tempo que Ximenes Belo, com o Nobel da Paz.

O chefe de Estado referia-se a declarações à Lusa do representante máximo do papa em Timor-Leste, o monsenhor Marco Sprizzi, que na quarta-feira disse que o caso de Ximenes Belo está nas mãos dos órgãos competentes da Santa Sé, sem confirmar se o prelado foi ou não investigado por abusos de menores.

“Pessoalmente não posso nem confirmar nem desmentir porque é uma questão de seriedade da minha parte, visto a competência ser dos meus superiores na Santa Sé”, disse Sprizzi.

“Esta questão deve ser dirigida diretamente à Santa Sé”, referiu, quando questionado sobre a veracidade das denúncias de abusos de menores alegadamente cometidos ao longo de vários anos por Ximenes Belo, hoje a residir em Portugal.

Marco Sprizzi explicou que o caso “está à atenção dos Dicastérios competentes da Santa Sé e da Secretaria de Estado de sua Santidade o Papa Francisco”, numa referência a estruturas que integram a Cúria Romana.

“Eles estão a examinar este artigo e o seu conteúdo e de outros que estão a ser publicados neste momento e a partir disto, qualquer resposta virá diretamente da Santa Sé”, explicou. O assunto está diretamente com o Vaticano e a Santa Sé. A Igreja local e a Nunciatura não têm mais competência direta”, enfatizou.

Na sua edição online, o jornal holandês De Groene Amsterdammer publicou na quarta-feira testemunhos de alegadas vítimas de abusos sexuais, quando eram menores, crimes que terão sido cometidos durante vários anos por Ximenes Belo.

O jornal explica ter ouvido várias vítimas dos crimes, alegadamente cometidos na década de 1980 e 1990, e 20 pessoas com conhecimento do caso, incluindo “individualidades, membros do Governo, políticos, funcionários de organizações da sociedade civil e elementos da Igreja”.

“Mais de metade das pessoas pessoalmente conhecem uma vítima dos abusos e outras têm conhecimento do caso. O De Groene Amsterdammer falou com outras vítimas que recusaram contar a sua história nos media”, refere a jornalista Tjirske Lingsma.

“O Paulo e Roberto”, as duas alegadas vítimas entrevistadas para o artigo — que pediram o anonimato -, “conhecem outras vítimas”, refere o jornal, um dos principais semanários do país.

Marco Sprizzi disse que o jornal holandês foi “correto” ao contactar a Nunciatura a quem colocou várias perguntas que foram “transmitidas da parte da Nunciatura aos competentes Dicastérios da Santa Sé”.

Sprizzi recusou-se a confirmar se foram impostas algumas restrições a Ximenes Belo, nomeadamente o impedimento de visitas a Timor-Leste, confirmando só que “não foi laicizado”.

Os contornos da saída de Ximenes Belo de Timor-Leste, em novembro de 2002, nunca foram totalmente clarificados pelo Vaticano, com o assunto a tornar-se tabu no país.

Outras fontes da igreja em Timor-Leste, ouvidas pela Lusa, explicaram que “nenhuma vítima” denunciou alegados abusos, de forma presencial, tanto na Nunciatura como na Igreja timorense, não havendo informações de qualquer denúncia junto das autoridades civis.

Ainda assim apontam a realização de uma investigação, cujos contornos não são conhecidos.

Em 2020, em declarações à Lusa, um elemento superior da Igreja Católica em Díli, que solicitou o anonimato, escusou-se a revelar se houve ou não uma demissão formal de Ximenes Belo pelo então papa João Paulo II.

A mesma fonte referiu-se, porém, ao que disse serem “instruções” para “ter um perfil baixo, não viajar, não mostrar insígnias episcopais, ter uma atitude modesta”.

Parte do silêncio sobre o Nobel da Paz deve-se, admitiu a mesma fonte, ao facto da postura do Vaticano relativamente a abusos sexuais na Igreja ter mudado com os dois últimos papas, com a adoção de uma política de “tolerância zero”.

“Houve esta progressiva consciencialização da Igreja sobre a gravidade do assunto e sobre a atitude, a reação que a Igreja deve ter para expulsar e corrigir ao máximo possível este crime dentro da igreja, especialmente dentro do clero”, afirmou a mesma fonte.

Na altura, em comunicado, Ximenes Belo anunciou a sua resignação do cargo, alegando problemas de saúde e a necessidade de um longo período de recuperação.

“Estou a sofrer de fadiga mental e física, o que requer um longo período de recuperação”, referiu Ximenes Belo, num comunicado em que informava ter escrito à Santa Sé solicitando a renúncia do cargo de Administrador Apostólico de Díli, função que exercia desde 1983.

A 27 de novembro de 2002 o Vaticano confirmou, através da gazeta “L’Osservatore Romano”, que “o Santo Padre aceitou a renúncia do ofício de Administrador Apostólico ‘Sede vacante et ad nutum Sanctae Sedis’ de Díli (Timor Oriental), apresentada por sua excelência reverendíssima, monsenhor Carlos Felipe Ximenes Belo, bispo titular de Lorium, em conformidade com o cânone 401.2 do Código de Direito Canónico”.

ASP // VQ 

Hierarquia da Igreja em Portugal soube do caso de Ximenes Belo há pelo menos 12 anos, antes da visita de Bento XVI



Suspeitas contra Ximenes Belo chegaram ao Patriarca de Lisboa em 2010 e o caso era comentado na Igreja. Ao fim de um ano de exílio em Portugal, o bispo voltou a trabalhar com crianças em Moçambique.

Tinham passado seis meses da independência de Timor quando, em 2002, a diocese de Díli emitiu um comunicado surpreendente: o Nobel da Paz e administrador apostólico de Díli, Carlos Filipe Ximenes Belo, acabara de renunciar ao cargo e o pedido tinha sido aceite pelo Papa em 24 horas. Motivo: estava cansado, estaria doente e precisava de um “longo período de recuperação” — que viria a fazer em Portugal. Grande parte das pessoas acreditaram nesta versão até esta quarta-feira, quando o jornal holandês The Groene Amsterdammer publicou uma investigação que divulga relatos de homens que terão sido por ele abusados sexualmente quando eram crianças, nas décadas de 80 e 90. Muitos, porém, já sabiam que o cansaço e a doença não eram as verdadeiras razões. O Observador apurou que, em Timor, pelo menos desde 2007, estas suspeitas já eram conhecidas entre as forças de segurança. E, pelo menos desde 2010, a hierarquia da Igreja em Portugal também ficou a saber, pouco antes da visita do Papa Bento XVI.

A notícia do The Groene Amsterdammer veio, ainda assim, apanhar muitos de surpresa. A ministra dos Negócios Estrangeiros de então, Teresa Gouveia, foi uma delas. “Sempre associei a sua vinda [para Portugal] a motivos de saúde”, disse por telefone ao Observador. E foi isso mesmo que foi sendo proclamado nas notícias que iam saindo sobre o bispo. A verdade é que Ximenes Belo deixou o cargo vazio em Díli e, em janeiro de 2003, alojar-se-ia num mosteiro salesiano na zona de Aveiro. Esse “longo período de recuperação” duraria um ano e meio, altura em que decidiu ir em missão para Moçambique e auxiliar um padre local no trabalho com crianças.

“Faço trabalho pastoral ensinando o catecismo a crianças, dando retiros aos jovens. Desci do topo para a base”, disse num evento em Banquecoque para o qual foi convidado enquanto Nobel, numa declaração registada pelo UCA News.

Nessa altura, o bispo ainda não tinha terminado a sua missão em Moçambique, mas anunciou que, mal a acabasse, voltaria a Timor para visitar familiares próximos. No entanto, em 2006, desta vez ao Jornal de Notícias, afirmou que só poderia regressar ao país quando a Santa Sé o permitisse. “Regresso imediatamente, se tiver autorização da Santa Sé e um chamamento dos dois colegas bispos de Timor, de Xanana Gusmão, Mari Alkatiri, Ramos-Horta e dos comandantes da Polícia e do Exército. Estou disponível para ser o reconciliador, dirimir diferenças étnicas, ideológicas, religiosas ou mesmo políticas”, explicou. Mas não há registo de que ali tenha regressado.

“Faço trabalho pastoral ensinando o catecismo a crianças, dando retiros aos jovens. Desci do topo para a base.”

D. Ximenes Belo, uma intervenção em Banquecoque, em 2005

Por esta altura, em 2007, o assunto já circulava em Timor. Ao Observador, um elemento de uma força de segurança portuguesa que esteve em missão naquele país — para formar as polícias locais e manter a ordem pública — conta que já se ouvia falar das histórias e das suspeitas que recaíam sobre o bispo. Nunca tratou de apurar pormenores, mas confirma que, por ali, “falava-se disso”.

E, em 2010, a informação caiu “quase como uma bomba” nas mãos do então cardeal patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, que, em plenos preparativos para a vinda do Papa Bento XVI a Portugal, foi confrontado com uma possível notícia prestes a sair, que traria à baila todas estas suspeitas. Uma fonte contou ao Observador que, graças à sua “capacidade de negociação”, Policarpo conseguiu que nada fosse publicado. Mais: essa informação ficou guardada num círculo restrito e nunca chegou a vir a público.

Antes, aquando da resignação de Ximenes Belo e quando ainda não saberia de nada relacionado com o caso, D. José Policarpo chegou a mostrar-se até publicamente surpreendido, dizendo estranhar o anúncio da resignação e avaliando-o como um “manifesto de intenção”, uma vez que normalmente estes anúncios eram feitos pelo Vaticano. “D. Carlos foi um homem sujeito a ‘stress’ durante muitos anos. Ninguém imagina o que é viver com a tensão que ele viveu”, afirmou então.

E a verdade é que as suspeitas de abuso só foram escritas preto no branco agora, doze anos depois, e num jornal holandês. Nesse ano de 2010, enquanto se preparava a visita do Papa, Ximenes Belo chegou a falar na questão dos abusos sexuais na Igreja, numa altura em que recaíam suspeitas sobre o clero alemão. Estava em Fátima, num encontro com alunos do ensino secundário, quando disse: “Somos pecadores (…) vamos rezar, vamos esforçar-nos para que não aconteça mais”.

A mesma fonte que revelou ao Observador que as suspeitas chegaram ao conhecimento do Patriarca de Lisboa em 2010 conta que, nessa altura, dizia-se na Igreja que Ximenes veio para Portugal para ficar enclausurado num mosteiro o resto da vida. Durante o primeiro ano, quem fala de Ximenes Belo recorda-se de que, de facto, foi assim. O antigo bispo de Díli dedicou-se a escrever um livro da história de Timor, que só sairia anos depois, e era visto como um exilado. Mas já depois da sua missão em Moçambique, os seus passos no exterior, em Portugal, foram aumentando gradualmente.

Ainda em 2005, participou na cerimónia de abertura do ano letivo de uma escola secundária; em 2011, esteve num presépio vivo em Priscos, no concelho de Braga; um ano depois, foi convidado a visitar uma escola em Ferreira do Zêzere para estar com os alunos de Religião e Moral; e, em 2014, o seu nome foi dado a uma rua em Vila Nova de Gaia. Pelo caminho, foi dando palestras e aparecendo em alguns eventos. No ano passado, esteve no velório de Jorge Sampaio, onde agradeceu o contributo do chefe de Estado português para a independência de Timor — cujos 20 anos foi convidado a assinalar, já este ano, pelos salesianos de Lisboa.

"Somos pecadores (...) vamos rezar, vamos esforçar-nos para que não aconteça mais".

D. Ximenes Belo sobre a questão dos abusos sexuais, em 2010

Sem processo crime em Timor e sem divulgação das suspeitas por parte da Igreja, nunca ninguém questionou por que é que o antigo bispo de Díli não tinha voltado a casa, nem sequer tinha quaisquer funções atribuídas pela Igreja, limitando-se a algumas colaborações com os salesianos e a algumas aparições em público — ele que fora Nobel da Paz pelo papel que desempenhou em Timor durante a guerra.

O jornal holandês diz mesmo que Ximenes Belo foi proibido de sair de Portugal sem autorização do Vaticano. Mas, pelo percurso que o antigo bispo fez desde que saiu do seu país, percebe-se que essa autorização só não foi dada precisamente quando o destino era Timor. Desde então, Ximenes Belo viajou por vários outros países.

Primeiras denúncias terão sido feitas em 2002

Agora, são conhecidas, pelo menos, as histórias de Paulo e Roberto – cujas identidades não foram reveladas –, que descreveram, com detalhe, ao jornal holandês o que viveram em Timor, na década de 90. Os dois, agora, adultos contaram que terão sido vítimas de abuso sexual no início da sua adolescência, dentro da residência de Ximenes Belo, situada em Díli, a capital timorense, mas o De Groene avança que, entre todos os contactos feitos durante a investigação jornalística – com membros do governo, políticos, membros de organizações não-governamentais e pessoas relacionadas com a igreja –, mais de metade disse conhecer pessoalmente alegadas vítimas deste crime e outros disseram saber do caso, como o Observador confirmou esta quarta-feira.

Além das duas histórias contadas na primeira pessoa, o jornal revela que terão sido praticados crimes também na década de 80, quando Ximenes Belo estava nos Salesianos de Dom Bosco, em Fatumaca. Aliás, o mesmo jornal adianta que, precisamente em 2002 – ano em que o então bispo anunciou que sairia de Timor –, foi feita uma denúncia de um timorense, que dizia que o seu irmão mais novo teria sido vítima de abuso sexual, e que vários jornalistas terão tentado revelar os casos.

Agora com 42 anos, Paulo contou que o ex-bispo pediu-lhe que fosse a sua casa. “O bispo tirou as minhas calças”, descreveu, acrescentando detalhes de cariz sexual, recordando onde ficava exatamente a casa e descrevendo até a vista. Adormeceu e, quando acordou, na manhã seguinte, terá recebido dinheiro para manter o seu silêncio. Quando saiu, confessa ter pensado: “Não é culpa minha. Ele convidou-me. Ele é o padre. É um bispo. Dá-nos comida e fala bem comigo. Está a aproveitar-se desta situação”. A história de Paulo terminou naquele momento, quando decidiu que não voltaria ao sítio onde vivia o antigo bispo, e, até agora, nunca foi transmitida a ninguém. “Ele sabia que as crianças não tinham dinheiro. Então, ele convidava, tu ias e ele dava algum dinheiro. Mas, enquanto isso acontece, tu és uma vítima. Foi isso que ele fez”, contou ao jornal holandês, acrescentando que os jovens tinham medo de falar sobre o assunto.

A história de Roberto tem contornos diferentes, já que este homem, agora com 45 anos, terá estado várias vezes em casa do vencedor do Prémio Nobel da Paz — onde terá visto outras crianças, que eram levadas até lá — e, antes, num convento na cidade onde vivia, para onde era levado quando o bispo visitava o local.

“O bispo violou-me e abusou sexualmente de mim naquela noite”, depois de uma festa. E aqui a história repetiu-se: saiu depois de Ximenes Belo lhe ter dado dinheiro – que compraria o seu silêncio e dava garantias de que voltaria. Mais tarde, voltaram a encontrar-se várias vezes e existiria uma pessoa que ia buscar Roberto para o levar para o convento, sempre que o bispo visitava a cidade do jovem.

Roberto diz ter tomado consciência do que estava a acontecer ainda antes de se mudar para Díli. “O bispo não estava interessado em mim, isto era apenas sobre ele próprio. Para mim, era sobre dinheiro. Dinheiro de que nós precisávamos muito”, recordou o, na altura, adolescente, cuja família tinha perdido muito durante a ocupação da Indonésia em Timor. Já em Díli, os abusos sexuais terão continuado na residência oficial de Ximenes Belo, que foi nomeado bispo em 1988.

“O bispo violou-me e abusou sexualmente de mim naquela noite”

Roberto, uma das alegadas vítimas do bispo, no relato que fez a um jornal holandês

Todos estes episódios terão acontecido antes de Ximenes Belo ter recebido o Prémio Nobel da Paz, em 1996, juntamente com José Ramos-Horta. E, de acordo com o jornal holandês, terão continuado depois do referendo de 99, que deu a independência a Timor. Naquela altura, o então bispo terá saído do país, depois de as tropas da Indonésia incendiarem a sua residência, tendo regressado no mesmo ano.

Perante tudo isto, a Igreja em Portugal mantém o silêncio. O Observador contactou o Patriarcado de Lisboa para saber do nível de conhecimento que a instituição tinha do caso. A mesma tentativa de contacto foi feita com os Salesianos de Mogofores e com a Nunciatura Apostólica em Portugal, mas, até ao momento, sem qualquer resposta. O telemóvel de Ximenes Belo esteve sempre desligado durante a tarde e início da noite desta quarta-feira.

Já a Nunciatura em Díli disse à Agência Lusa que as suspeitas sobre o ex-administrador apostólico de Díli estão com os órgãos competentes da Santa Sé, sem especificar desde quando. “Pessoalmente não posso nem confirmar nem desmentir porque é uma questão de seriedade da minha parte, visto a competência ser dos meus superiores na Santa Sé”, disse Marco Sprizzi, representante máximo do Papa e do Vaticano em Timor-Leste.

quarta-feira, 28 de setembro de 2022

Nunciatura de Díli diz que suspeitas de abusos sexuais de Ximenes Belo estão na Santa Sé


RTP

O caso que envolve suspeitas de abusos sexual de menores pelo ex-administrador apostólico de Díli Ximenes Belo está com os órgãos competentes da Santa Sé, disse hoje o representante do Vaticano em Timor-Leste, sem confirmar se o prelado foi ou não investigado.

"Pessoalmente não posso nem confirmar nem desmentir porque é uma questão de seriedade da minha parte, visto a competência ser dos meus superiores na Santa Sé", disse à Lusa Marco Sprizzi, representante máximo do Papa e do Vaticano em Timor-Leste.

"Esta questão deve ser dirigida diretamente à Santa Sé", referiu, questionado sobre a veracidade das denúncias de alegados abusos de menores cometidos ao longo de vários anos por Ximenes Belo, hoje a residir em Portugal, que foram publicadas por um jornal holandês.

Marco Sprizzi explicou que o caso "está à atenção dos Dicastérios competentes da Santa Sé e da Secretaria de Estado de sua Santidade o Papa Francisco", numa referência a estruturas que integram a Curia Romana.

"Eles estão a examinar este artigo e o seu conduto e de outros que estão a ser publicados neste momento e a partir disto, qualquer resposta virá diretamente da Santa Sé", explicou.

O "assunto está diretamente com o Vaticano e a Santa Sé. A Igreja local e a Nunciatura não têm mais competência direta", enfatizou.

Na sua edição online, o jornal holandês De Groene Amsterdammer publicou hoje testemunhos de alegadas vítimas de abusos sexuais, quando eram menores, crimes que terão sido cometidos durante vários anos por Ximenes Belo.

O jornal explica ter ouvido várias vítimas dos crimes, alegadamente cometido na década de 1980 e 1990, e vinte pessoas com conhecimento do caso, incluindo "individualidades, membros do Governo, políticos, funcionários de organizações da sociedade civil e elementos da Igreja".

"Mais de metade das pessoas conhecem pessoalmente uma vítima dos abusos e outros têm conhecimento do caso. O De Groene Amsterdammer falou com outras vítimas que recusaram contar a sua história nos media", refere a jornalista Tjirske Lingsma.

"O Paulo e Roberto", as duas alegadas vítimas entrevistadas para o artigo -- que pediram o anonimato -, "conhecem outras vítimas", refere o jornal, um dos principais semanários do país.

Em declarações à Lusa, Marco Sprizzi disse que o jornal holandês foi "correto" e colocou várias perguntas à Nunciatura em Díli que foram "transmitidas aos competentes Dicastérios da Santa Sé".

Sprizzi recusou-se a confirmar se foram impostas algumas restrições a Ximenes Belo, nomeadamente impedimento de visitas a Timor-Leste, confirmando só que "não foi laicizado" [retirado das funções eclesiásticas].

Os contornos da saída de Ximenes Belo de Timor-Leste, em novembro de 2002, nunca foram totalmente clarificados pelo Vaticano.

Outras fontes da Igreja em Timor-Leste, ouvidas pela Lusa, explicaram que "nenhuma vítima" denunciou alegados abusos, de forma presencial tanto na Nunciatura como na Igreja timorense, não havendo informações de qualquer denúncia junto das autoridades civis.

Ainda assim, apontam a realização de uma investigação, cujos contornos não são conhecidos.

Em 2020, em declarações à Lusa, um elemento superior da Igreja Católica em Díli, que solicitou o anonimato, escusou-se a revelar se houve ou não uma demissão formal de Ximenes Belo pelo então papa João Paulo II.

A mesma fonte referiu-se, porém, ao que disse serem "instruções" para "ter um perfil baixo, não viajar, não mostrar insígnias episcopais, ter uma atitude modesta".

Parte do silêncio sobre o Nobel da Paz deve-se, admitiu a mesma fonte, ao facto de a postura do Vaticano relativamente a abusos sexuais na Igreja ter mudado com os dois últimos papas, com a adoção de uma política de "tolerância zero".

"Houve esta progressiva consciencialização da Igreja sobre a gravidade do assunto e sobre a atitude, a reação que a Igreja deve ter para expulsar e corrigir ao máximo possível este crime dentro da igreja, especialmente dentro do clero", afirmou a mesma fonte.

Questionado sobre o que ocorreu aquando da saída de Ximenes Belo em novembro de 2002 -- numa decisão que na altura causou bastante surpresa -- Sprizzi recordou que a "renúncia voluntária de Ximenes Belo se baseou numa razão de saúde".

Nesse sentido, explicou, a resposta oficial "não pode mudar, tendo sido dada com base no direito canónico".

"Mas se alguma coisa deve ser acrescentada, será acrescentada pelos órgãos competentes", rizou.

Na ocasião, em comunicado, Ximenes Belo anunciou a sua resignação do cargo, alegando, problemas de saúde e a necessidade de um longo período de recuperação.

"Tenho vindo a sofrer de esgotamento, cansaço físico e psicológico, pelo que necessito de um longo período de repouso em vista de uma recuperação total da minha saúde", referia o comunicado, citado então pela Lusa.

A 27 de novembro de 2002 o Vaticano confirmou, através da gazeta "L`Osservatore Romano", que "o Santo Padre aceitou a renúncia do ofício de Administrador Apostólico `Sede vacante et ad nutum Sanctae Sedis` de Díli (Timor Oriental), apresentada por sua excelência reverendíssima, monsignor Carlos Felipe Ximenes Belo, bispo titular de Lorium, em conformidade com o cânone 401.2 do Código de Direito Canónico".

Ximenes Belo acusado de abusos sexuais. Jornal ouviu várias vítimas


País Ao Minuto

O jornal holandês De Groene Amsterdammer publicou hoje testemunhos de alegadas vítimas de abusos sexuais, quando eram menores, crimes que terão sido cometidos durante vários anos pelo ex-administrador apostólico de Díli e Nobel da Paz Ximenes Belo.

Na sua edição online, o jornal explica ter ouvido várias vítimas e vinte pessoas com conhecimento do caso, incluindo "individualidades, membros do Governo, políticos, funcionários de organizações da sociedade civil e elementos da Igreja".

Mais de metade das pessoas conhecem  pessoalmente uma vítima dos abusos e outros têm conhecimento do caso. O De Groene Amsterdammer falou com outras vítimas que recusaram contar a sua história nos media", refere a jornalista Tjirske Lingsma.

"O Paulo e Roberto", as duas alegadas vítimas entrevistadas para o artigo, "conhecem outras vítimas", refere o jornal, um dos principais semanários do país.

O jornal explica que as primeiras investigações a este alegado abuso remontam a 2002, quando um timorense denunciou que o seu irmão era vítimas de abusos.

Em novembro desse ano, Ximenes Belo anunciou a sua resignação do cargo, alegando, problemas de saúde e a necessidade de um longo período de recuperação.

"Estou a sofrer de fadiga mental e física, o que requer um longo período de recuperação", referiu Ximenes Belo num comunicado em que informava ter escrito à Santa Sé solicitando a renúncia do cargo de Administrador Apostólico de Díli, função que exercia desde 1983.

"Tenho vindo a sofrer de esgotamento, cansaço físico e psicológico, pelo que necessito de um longo período de repouso em vista de uma recuperação total da minha saúde", referia o comunicado, citado então pela Lusa.

Ximenes Belo, hoje com 74 anos, explicou que o seu pedido -- escrito com base no Cânone 401 do código de direito canónico - foi aceite pelo então papa João Paulo II.

Em entrevista à agência de notícias católica UCA News, em 2004, explicava que saiu do cargo em Díli para ser sacerdote assistente em Moçambique, estando atualmente a residir em Portugal.

A saída de Ximenes Belo de Timor-Leste causou grande surpresa na sociedade timorense, porque, até então, o bispo nunca havia indicado essa vontade de abandonar o cargo.

O jornal holandês refere que os alegados abusos terão começado ainda antes de Ximenes Belo ser nomeado bispo, quando ainda era superior nos Salesianos de Dom Bosco, e Díli, na década de 1980.

Os timorenses citados no artigo referem alegados abusos cometidos na década de 1990. Hoje com 42 anos, Paulo, como uma das vítimas é identificado, alega que quando ainda era menor foi alvo de abusos sexuais na casa de Ximenes Belo, por troca de dinheiro.

Algumas primeiras denúncias dos alegados abusos foram dadas a conhecer a jornalistas no início do século, como nota o jornalista.

Formalmente, porém, não há detalhes públicos sobre se as denúncias chegaram a ser formalizadas quer junto das autoridades policiais quer junto do Vaticano.

Ainda assim, os contornos da saída de Ximenes Belo de Timor-Leste, em novembro de 2002, nunca foram totalmente clarificados pelo Vaticano, com o assunto a tornar-se tabu no país.

Em 2020, em declarações à Lusa, um elemento superior da Igreja Católica em Díli, que solicitou o anonimato, escusou-se a revelar se houve ou não uma demissão formal de Ximenes Belo pelo então papa João Paulo II.

A mesma fonte referiu-se, porém, ao que disse serem "instruções" para "ter um perfil baixo, não viajar, não mostrar insígnias episcopais, ter uma atitude modesta".

Parte do silêncio sobre o Nobel da Paz deve-se, admitiu a mesma fonte, ao facto da postura do Vaticano relativamente a abusos sexuais na Igreja ter mudado com os dois últimos papas, com a adoção de uma política de "tolerância zero".

"Houve esta progressiva consciencialização da Igreja sobre a gravidade do assunto e sobre a atitude, a reação que a Igreja deve ter para expulsar e corrigir ao máximo possível este crime dentro da igreja, especialmente dentro do clero", afirmou a mesma fonte.

"Isso foi particularmente assim, especialmente com o papa Bento XVI e com o Papa Francisco. E a tolerância zero vale em todos os casos, e também em Timor", explicou.

Neste tipo de crimes, disse, independente do que possa ocorrer na legislação criminal dos vários países, para a Igreja "não há prescrição, e mesmo anos depois de investigados recebem a sanção jurídica e penal" da Santa Sé.

Sexual abuse of children by Nobel Peace Prize winner Bishop Belo



‘What I want is apologies’

For years, Timor-Leste’s Nobel Peace Prize winner Bishop Carlos Filipe Ximenes Belo has been sexually abusing boys, survivors and others claim. Meanwhile, the Catholic church imposed travel restrictions on Belo. ‘We have to talk about it, and shout it out louder to the world.’

It was Sunday morning. Paulo was standing among the other faithful listening attentively to the mass Bishop Belo was holding in the tropical garden at his residence in Dili, the capital city of Timor-Leste. After the mass, Belo walked up to Paulo, then a teenager of fifteen or sixteen years old. ‘He asked me to come to his place’, says Paulo, now 42, who wishes to stay anonymous for the privacy and safety of himself and his family.

It was an honour to be invited. ‘I was very happy,’ says Paulo. Bishop Carlos Filipe Ximenes Belo was not only the powerful head of the Roman Catholic church of Timor-Leste, but also a national hero and a beacon of hope for the people. He spoke up for his country, then suffering so terribly under the extreme and violent Indonesian occupation (1975-1999), and he demanded respect for human rights and self-determination.

In the late afternoon Paulo went unsuspectingly to the Bishop’s residence, on the coastal road of Dili with a magnificent view over the sea. That evening Belo took him to his bedroom. ‘The bishop took my pants off, started to sexually touch me and committed oral sex on me,’ Paulo says. Confused and shocked the teenager fell asleep. When he woke up, ‘he gave me some money,’ he remembers. ‘In the morning I ran away fast. I was a little scared. I felt so strange.’ Paulo felt ashamed, until he realised: ‘It is not my fault. He has invited me. He is the priest. He is a bishop. He gives us food, and talks nice to me. He is taking advantage of that situation.’ He adds: ‘I thought: this is disgusting. I won’t go there anymore.’

Paulo didn’t tell anyone about the sexual abuse and sexual exploitation. It happened once, that one time. But that didn’t apply to Roberto, now 45, who has also decided to remain anonymous. Both Paulo and Roberto would later settle abroad to build their lives.

There was a mood of excitement in Roberto’s town, where a church feast was in full swing. People were delighted because even the bishop had come. While Roberto watched the play and listened to the music, Belo’s eye fell on him. The bishop asked the teenager, who was about fourteen years old, to come to the convent. Roberto went to the convent and it got later and later. Too late to go home. The bishop then took Roberto to his room, where the exhausted teenager fell asleep. Until he suddenly woke up. ‘The bishop raped and sexually abused me that night’, says Roberto. ‘Early in the morning he sent me away. I was afraid because it was still dark. So I had to wait before I could go home. He also left money for me. That was meant so that I would keep my mouth shut. And to make sure I would come back.’

It was a large amount for the teenager, who had lost many family members due to the Indonesian occupation, during which as many as 183,000 Timorese died from hunger, disease, exhaustion and violence. On his following visits to the town, the bishop would send someone to fetch Roberto. Belo played on his heart and mind. ‘I felt recognized, chosen, loved and special,’ says Roberto. ‘Until I understood that the bishop was not really interested in me, but that it was only about himself. Then it was only about money for me. Money which we needed so badly.’

When Roberto moved to Dili, the sexual abuse and sexual exploitation moved to the bishop’s residence in the city. There Roberto saw orphan boys growing up at the compound and other boys who were called in like him. Roberto and Paulo both say people were sent with the car to bring the boys that Belo wanted to the residence.

Asked for a response to the allegations, Bishop Belo immediately hung up the phone

The bishop abused his position of power over boys who lived in extreme poverty, says Paulo. ‘He knows that the boys have no money. So when he invited you, you came over and gave you some money. But meanwhile you are a victim. That’s the way he did,’ Paulo explains.

It was impossible to disclose what was going on in Belo’s bedroom, Paulo says. ‘We were scared to talk about it. We were scared to pass on the information. Like me, about my bad story with bishop Belo’.

The Catholic church enjoys immense respect among the people in Timor-Leste, for its religious role and as an institute that helped people and offered protection. If accusations against Belo were made public it would scandalize the country and undermine the struggle for independence, says Roberto. It is still difficult for people to speak out about Belo’s alleged sexual crimes, from fear of stigmatisation, ostracization, threats and violence.

Paulo wanted to forget and he buried his thoughts about the sexual abuse. But when he liked a girl, his experiences surfaced. ‘I have the negative in my mind already. That way, like the bishop did to us, is not good.’

From the research carried out by De Groene it appears Belo had more victims. De Groene spoke with twenty people with knowledge of the case: dignitaries, government officials, politicians, NGO workers, people from the church and professionals. More than half of them personally know a victim, while others know about the case and most discussed it at work. De Groene also spoke with other victims who didn’t want to tell their story in the media. Paulo and Roberto both know fellow sufferers. ‘I knew it of some of my cousins. I knew it of some of my friends,’ Paulo says, adding: ‘They go to his place, just to get the money.’

The Research
This research project began in 2002, when a Timorese man says a friend was sexually abused by Bishop Belo. He had been very worried about his younger brother who visited the bishop’s residence every week and he had told his mother to not allow him to go there any more. Later that year, in November 2002, the bishop suddenly resigns. From that moment, rumours about the alleged sexual abuse grow into a massive public secret.

Several journalists try to report on the case. But the bishop is ‘too big to fail’. A possible opening comes up in February 2019, when Tempo Timor for the first time reveals the case against American ex-priest Richard Daschbach.

Since then De Groene has been researching the Belo case and spoken to several victims and twenty people with knowledge of the matter: dignitaries, government officials, politicians, NGO workers, people in the church and professionals. Over half of them know a victim, while others know about the case and discussed it at work.

In recent years, cracks have appeared in the image of the infallible church in East Timor
The abuse stretches over a long period of time. The accusations of Paulo and Roberto refer to the 90s. According to our research, Belo also abused boys before he became bishop, in the early 80s, in the village of Fatumaca, when he was superior at the educational centre of the Salesians of Don Bosco (SDB), the congregation to which he belongs. The current archbishop, Virgílio do Carmo da Silva, was then a student at the pre-seminary there, as has been written in online articles by, among others, Bishop Belo.

Belo, now 74, was born on February 3, 1948 to a devout family in the hamlet of Wailacama in Timor-Leste, then still a colony of Portugal. When he was three years old, his father died. The family faced a tough life in the deep poverty that had blighted the entire nation. Belo began working in the fields when he was a toddler, sometimes walking three hours a day to get rice. As a boy he liked to play priest. One day he put a grapefruit peel on his head, took a stick as a crozier and ordered his cousins to come and kiss the hand of the ‘bishop’, writes Arnold S. Kohen in his laudatory biography ‘From the Place of the Dead. Bishop Belo and the Struggle for East Timor’ (1999).

Belo is taught at Catholic schools and the seminary. As head student he is tough on class-mates. He can be moody, loves debating, theatre, soccer, romantic songs and The Beatles. In 1968 he leaves Timor-Leste to study in Portugal, where he witnesses the Carnation revolution which ends Portuguese colonialism. He returns to Timor-Leste, becomes a Salesian on October 6, 1974, and begins teaching at Fatumaca.

When Indonesia invades Timor-Leste in 1975, Belo is staying in Macau. In 1980 he is ordained as a priest. When he returns to his home country in 1981, Belo is shocked by the extreme fear, the poverty and the violent war. The Indonesian army uses the population – including Belo’s brother, uncles and cousins – as human shields during military operations, writes Kohen.

Belo goes to Fatumaca, where he is master of novices and after a year he is promoted to the position of superior. In 1983, Pope John Paul II choses the 35-year-old as head of the church in Timor-Leste. In 1988, Belo is appointed bishop. It is a tough and stressful position. People desperately address the bishop to tell him how Indonesian troops invade their houses, take people, torture and kill. Belo is called in to mediate when the violent Indonesian military and police target the population. Despite the danger he ‘had a sense of playfulness characteristic of many Salesians’, writes Kohen, interpreting Belo’s repeated phrase: ‘I am only another sinner!’

On November 12, 1991, Belo hears machine guns. At the Santa Cruz cemetery in Dili the Indonesian army has opened fire on demonstrators. Many young people are killed. Hundreds flee to Belo’s residence. When the bishop visits the graveyard he sees victims covered with blood and with bullets in their bodies. Finally Belo gets access to the military hospital. He recognizes many people that earlier he had personally brought home from his compound, but who were arrested and badly hurt and pummelled. At that time Paulo is too young, but when he is 15 he joins the demonstrations. It is an irregular and dangerous life. Many friends get killed. During an attack he is badly wounded and loses his best friend.

In 1996 Belo receives the Nobel Peace Prize, together with activist and diplomat José Ramos-Horta, the current president of Timor-Leste. The two receive the award ‘for their work towards a just and peaceful solution to the conflict in East Timor’. Belo presents himself during his Nobel speech as ‘the voice of the voiceless people of East Timor’ and states: ‘what the people want is peace, an end to violence, and respect for their human rights.’

In 1999, Timor-Leste is finally given a referendum on self-determination. It is organised by the United Nations, and Indonesia seeks to undermine the process with brutal violence. With a 78.5 per cent landslide, the people of Timor-Leste vote for independence. Indonesia takes merciless revenge. Indonesian military and police together with Timorese militia destroy houses, buildings and infrastructure. They loot, kill and deport a quarter of the population. In that organised explosion of violence, more than 5,000 people flee to the Bishop’s place. On September 6, militia launch an attack and burn down his residence. Belo leaves his flock, fleeing first on an Indonesian chopper, then on an Australian army plane to Darwin. In October 1999, he returns to Timor-Leste. Amidst that total destruction, the sexual abuse is resumed, says a witness.

'The bishop left me money to make sure I would shut up'

A UN transitional government rules the liberated country from 1999 until 2002. There are attempts to bring the sexual abuse case to light. But there is fear of reprisals and concern that in this early stage the country can’t deal with such a devastating scandal. The Timorese people have paid a massive price for independence. Paulo is severely traumatised and suffers panic attacks. ‘It’s a lot of things mixed up. It’s from the war and from the bishop. I have been through dark times’, he says.

Suddenly Belo resigns as head of the church. The Pope relieves him of his duties on November 26, 2002. The Nobel Peace Prize laureate says he suffers ‘from both physical and mental fatigue.’ In January 2003, Belo leaves Timor-Leste, officially to recover in Portugal. After talking to the prefect of the then Congregation for the Evangelization of Peoples and the rector major of the Salesian congregation, he chooses a new post, he says in an interview with Catholic agency UCA News. In June 2004 he becomes ‘assistant priest’ in Maputo, Mozambique. ‘I have descended from the top to the bottom’, Belo tells UCA News.

But why does an ambitious, world-famous bishop accept such a low position? In light of the accusations of sexual abuse, what he says about his work in Maputo is alarming: ‘I do pastoral work by teaching catechism to children, giving retreats to young people.’ Belo never lives in Timor-Leste again, but he visits occasionally, most recently at Christmas and New Year in 2018, and leaving his home country in January 2019.

In recent years cracks have appeared in the image of the once-infallible Catholic church in Timor-Leste. In February 2019, the local news platform Tempo Timor reveals for the first time the details of a clergy abuse case.

While the Vatican had found the American missionary Richard Daschbach guilty and had dismissed him from priesthood, these decisions were kept quiet. On December 21, 2021, Timor-Leste’s court convicted Daschbach of sexually abusing girls in the shelter home he ran and sentenced him to 12 years in prison (see the De Groene website for a Dutch feature on this case). In 2015 a Catholic brother received a ten-year prison term for the sexual abuse of teenagers in a support centre in the district Ermera, though that verdict didn’t make it to the media.

There are more cases. De Groene Amsterdammer spoke with people who made accusations about four priests in Timor-Leste. There are many concerns about British priest Patrick Smythe, convicted this year in the UK for abusing children, who spent ten years travelling to Timor-Leste and had children sleeping in his hotel room.

Several sources say church authorities have restricted Belo’s travel. He now resides in Portugal and he was not allowed to travel on his own initiative to his home country, but first had to ask permission from Rome. The travel restriction was confirmed by the president of Episcopal Conference of Timor-Leste. ‘He has to ask permission from the Vatican to see if they allow him to come or not’, bishop Norberto do Amaral said in an interview in September 2019. He said he doesn’t know the reason. ‘Over the matter why he can’t come, please ask the Vatican’. Because ‘issues with bishops’ are not dealt with by the local church, ‘but the Vatican.’

Such a travel restriction is a measure of canon law that church authorities can apply during an investigation of a case to protect victims, the investigation and the suspect. The church can also apply restrictions after a guilty verdict. Sources confirm the bishop is still not allowed to travel freely. He was not present during the recent grand installation in Rome of the new Catholic cardinals, who include Timor-Leste’s archbishop Virgílio do Carmo da Silva.

De Groene Amsterdammer has asked the Catholic church for a response to the accusations. The Holy See, responsible institutions including the Dicastery for the Doctrine of the Faith (DDF), cardinal Virgílio do Carmo da Silva in Dili and the rector major of the Salesian Congregation, have not answered our questions, and remain silent on the issue. Bishop Belo picked up the phone for a moment, but then put it down immediately.

As a victim, Paulo wants an end to the silence about the sexual abuse. ‘We have to talk about it, and shout it out louder to the world,’ he says. Roberto tells his story because he wants to open the way for other victims to speak out. ‘What I want is apologies from Belo and the church. I want them to acknowledge the suffering inflicted on me and others, so that this violence and abuse of power won’t happen anymore.’

This article was made possible by a grant of the Fonds Bijzondere Journalistieke Projecten. The identity of the victims is known to the editorial desk