sexta-feira, 6 de maio de 2022

Subnutrição infantil em Timor-Leste desce ligeiramente, mas relatório confirma problemas



Timor-Leste registou nos últimos anos uma tendência de queda da subnutrição infantil no país, ainda que quase metade das crianças continuem a sofrer de nanismo e de má nutrição crónica, segundo um estudo divulgado hoje.

O Inquérito Alimentar e Nutricional de Timor-Leste, conduzido em 2020 e cujos resultados finais foram divulgados hoje, mostra que quase 25% das crianças com menos de cinco anos sofrem de má nutrição.

O nanismo afeta ainda 47,1% das crianças (era de 50,2% em 2013), o raquitismo afeta 8,6% da população infantil (baixou de 11%) e, no outro lado do espetro, a obesidade infantil é de 1,2%, segundo o estudo, lançado hoje ao mesmo tempo que o Ministério da Saúde lançou um plano estratégico nacional para a nutrição.

Segundo o estudo as “taxas de amamentação de lactentes com menos de 6 meses” eram de 62%, mais 10%, ainda que tenha havido uma “diminuição significativa no início precoce da amamentação, que baixou de 93,4% para 46,8%”. “É importante que Timor-Leste continue a adotar medidas práticas e concretas, envolvendo todos os setores da sociedade, as pessoas, as famílias, as autoridades, as organizações da sociedade civil e os parceiros de desenvolvimento, num verdadeiro espírito de comunidade alimentar em favor de uma melhor nutrição e segurança alimentar”, disse o primeiro-ministro, Taur Matan Ruak, na apresentação do estudo.

O Inquérito Alimentar e Nutricional e o Plano Estratégico Nacional para a Nutrição do Setor Saúde 2022 – 2026 foram desenvolvidos pelo Ministério da Saúde com o apoio da União Europeia, várias agências da ONU KOICA e membros do Grupo de Trabalho para a Nutrição. 

Taur Matan Ruak disse que o estudo deixa patentes “as grandes debilidades do sistema de nutrição nacional, com valores comparativos mais altos em relação aos vizinhos da Região do Sudeste Asiático ou do Pacífico, onde se verificam melhores índices no combate à subnutrição infantil, nanismo e raquitismo”.

Mostra ainda “os riscos particulares que afetam as mulheres, em especial, grávidas e mães, mais propensas a situações de anemia, que podem ter repercussões negativas na qualidade do leite materno para os recém-nascidos”. 

E, referiu, “alerta para a necessidade de consolidar os nossos recursos e esforços para investir mais na merenda escolar, na saúde materna e dos bebés, na diversificação da dieta com melhores nutrientes, mais adequados e equilibrados, de acordo com as melhores práticas internacionais e na fortificação de alimentos”.

Taur Matan Ruak disse que em 2019 foram alocados já 44 milhões de dólares (41,5 milhões de euros) para atividades de nutrição, valor que aumentou para 56 milhões de dólares (52,8 milhões de euros) em 2020.

Na mesma ocasião, o embaixador da União Europeia em Díli, Andrew Jacobs, sublinhou a importância de parcerias alargadas que permitam dar “passos concretos para a transformação do sistema nutricional nacional”.

Ações, disse, que “não podem nem devem ser tomadas apenas pelos Governos e autoridades, mas num espírito de comunidade que envolva a participação de todos, incluindo os cidadãos como consumidores, operadores económicos e os diferentes parceiros de desenvolvimento”.

Bilal Durrani, responsável do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) em Timor-Leste, explicou que “quase metade das crianças timorenses nascem com nanismo”, um dos problemas de nutrição mais graves do país.

“É uma emergência silenciosa, e se não forem tomadas medidas antes de uma criança fazer dois anos, já é tarde demais. Isto tem impacto direto no capital humano da nação, uma vez que metade da população de Timor-Leste não tem cérebros totalmente desenvolvidos para contribuir para o desenvolvimento económico do país”, disse.

“De acordo com o Banco Mundial, a subnutrição já afeta negativamente a economia de Timor-Leste em 41 milhões de dólares por ano [38,7 milhões de euros]", explicou Durrani.

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