quinta-feira, 23 de fevereiro de 2023

Ramos-Horta halo amiasas no ultimatum ba Primeiru-Ministru tanba Longuinhos Monteiro nia uma hetan buska


Timor Hau Nian Doben

Tuir pajina Facebook Primeiru-Ministru nian, Prezidente da Repúblika (PR), Ramos-Horta husu ba hasai Diretór SNI nian tanba ba halo buska iha Longuinhos Monteiro nia uma, se la hasai Horta sei halo buat rua: ida denunsia ba públiku, ida seluk hapara enkontru semanál ho Primeiru-Ministru.

"Kazu ida Loes, ha’u iha dia 09 ha’u viajem mai husi Kanberra mai Darwin, ha’u iha aviaun laran Senór Ministru Fidelis telephone ba ha’u dehan Prezidente da Repúblika preokupadu loos tanba SNI ba atu revista senór Longuinhos nia uma tanba ne’e husu ba Primeiru-Ministru hasai Diretór SNI nian, sei la hasai Prezidente halo buat rua ida denunsia ba públiku, ida seluk hapara enkontru semanál ho Primeiru-Ministru, ha’u iha aviaun laran ha’u responde ba Senór Ministru hateten ba Prezidente rua ne’e ha’u simu hotu, denunsia ba públiku no hapara enkontru semanal ho Primeiru-Ministru mós ha’u simu”, dehan Matan Ruak.

Tuir Taur Matan Ruak autoridade sira halo buska ho mandato tribunal nian no nia hanoin katak PR atua ho prepotensia no halo abuzu de poder. 

Ha’u to’o iha Darwin ha’u haruka ha’u nia Xefe Gabinete buka hatene saída mak akontese iha ne’ebá i kuandu ha’u buka hatene sira haruka mandatu Tribunal nian entaun ha’u hakfodak ne’e, sei ida ne’e mandatu Tribunal tanba-saida mak Prezidente fó fali ultimatu ba Primeiru-Ministru, ha’u hanoin ida ne’e abuza poder uitoan, prepotensia uitoan husi Parte Prezidente da Repúblika nian ké labele, Prezidente da Repúblika orgaun no simbolu nasaun nian entaun tenke sukat nia komportamentu hotu ne’e nia sukat kuidadu loos labele hanesan fali 𝐜𝐨𝐛𝐨𝐢𝐚𝐝𝐚 demais, iha Timor ne’e laiha ema ida iha lei nia leten inklui Prezidente da Repúblika, hotu-hotu iha lei nia okos, ha’u eis Prezidente ne’ebé ha’u hatene saída mak ha’u koalia, ha’u preokupa uitoan mas ita aprende dalaruma sira ne’ebé fó informasaun ba Nai Prezidente fó sala depois Prezidente envez rona ho kalma lae, bidu uluk mak entaun mak hanesan ne’e", ramata.

“Ramos-Horta halo dala barak intervensaun ba orgaun sobernia sira seluk, ida maka halo kritikas makaas ba Tribunal no halo duvidas iha publiku nia leet se PR ida ne’e beikteen no la hatene nia knaar hanesan Xefe Estadu ka nia sai ema ditador hanesan Suharto”, dehan deputadu ida ba Timor Hau Nian Doben.

PM timorense acusa Presidente da República de abuso de poder e prepotência


Díli, 22 fev 2023 (Lusa) – O primeiro-ministro timorense, Taur Matan Ruak, acusou hoje o Presidente da República de abuso de poder e de prepotência por ter exigido ao chefe do executivo que demitisse o responsável do Serviço Nacional de Inteligência.

“Isto é abuso de poder e prepotência da parte do Presidente da República. Isto não é correto. O Presidente é um órgão que é símbolo nacional. Todos os comportamentos são importantes, e devem ser feitos com cuidado. Não pode ser uma coboiada”, afirmou Taur Matan Ruak à chegada a Díli.

A Lusa tentou, sem sucesso, contactar com o Presidente da República.

O chefe do Governo falava à chegada a Díli, depois de uma visita ao exterior, referindo-se ao que disse ser um “ultimato” dado pelo Presidente José Ramos-Horta relativamente a buscas conduzidas na casa de um dos assessores do chefe de Estado, Longuinhos Monteiro.

A polémica em torno a esse caso começou no mês passado depois de uma rusga, sem mandado judicial, efetuada na casa de Longuinhos Monteiro em Loes, e onde participaram, entre outros, elementos do SNI.

A rusga – durante a qual foram encontradas algumas armas - acabou por ser declarada ilegal pelo Tribunal Distrital de Díli que, posteriormente, emitiu mandados para buscas adicionais, em Díli e Loes.

Na busca mais recente, já este mês, o chefe de Estado decidiu enviar o seu chefe da Casa Militar como “observador” e “testemunha” da operação, algo que já suscitou críticas da parte das bancadas do Governo no parlamento.

Taur Matan Ruak explicou que no passado dia 09 de fevereiro, quando estava em viagem entre Camberra e Darwin, na Austrália, foi contactado pelo ministro da Presidência do Conselho de Ministros, Fidelis Magalhães.

“Estava no avião e o senhor ministro Fidelis telefonou-me e disse-me que o Presidente estava muito preocupado porque o SNI foi fazer uma busca a casa do senhor Longuinhos”, disse Taur Matan Ruak.

“Pedia ao senhor primeiro-ministro para afastar o diretor do SNI. Se não o fizesse, o presidente faria duas coisas: denunciaria o caso a público e pararia os encontros semanais com o primeiro-ministro. Eu respondi: digam ao Presidente que eu aceito tudo, aceito que comunique ao público e aceito que pare as reuniões semanais com o PM”, explicou.

Taur Matan Ruak disse aos jornalistas no Aeroporto de Díli que falou à chegada a Darwin com o seu chefe de gabinete, que lhe confirmou que a segunda rusga tinha sido feita com mandado judicial.

“Falei com o meu chefe de gabinete para perceber o que tinha acontecido. E fui informado de que a busca tinha sido feita com mandado do tribunal. Então fiquei assustado. Se há mandado do tribunal por que é que o PR faz ultimato ao PM”, questionou.

Esse ultimato, afirmou, constitui abuso de poder e prepotência do chefe de Estado.

As criticas relativamente ao envolvimento de elementos do SNI têm a ver não apenas com a existência ou não de mandado judicial, mas também com o facto da interpretação de que as rusgas não se inserem nas competências deste serviço de informações.

A questão foi já discutida entre Ramos-Horta e Taur Matan Ruak no seu encontro semanal de 24 de janeiro, depois do qual o primeiro-ministro timorense defendeu reformas no setor da polícia, segurança e Justiça para responder à preocupação com o que disse ser o “ego setorial” que está a colocar desafios ao país.

“A questão não é nova. No nosso país há essa questão do ego setorial. Mas noutros países também há”, disse Taur Matan Ruak, quando questionado pela Lusa sobre recentes polémicas relativamente à atuação de algumas estruturas da segurança no país.

“É uma preocupação e estamos a ver como devemos evitar isso no futuro. Uma das coisas que estamos a estudar seriamente são as reformas, mudar o que não está bem para responder aos desafios no país”, afirmou.

Questionado, em particular, sobre a atuação do SNI, sob sua tutela – com acusações de que os seus elementos terão atuado além das suas competências legais -, o chefe do Governo, e ministro do Interior, disse que a questão é mais ampla.

“Registei a preocupação do senhor Presidente, das várias personalidades, para ver como podemos evitar isso no futuro. Isto é uma questão global, não apenas do SNI. Temos que ver a Polícia Científica de Investigação Criminal (PCIC), a Polícia Nacional de Timor-Leste (PNTL), as instituições da Justiça. Isto tem a ver com as reformas no nosso país”, disse.

Ramos-Horta criticou por várias vezes a atuação das forças de segurança e do SNI, afirmando à Lusa, em janeiro, que alguns responsáveis de instituições de segurança em Timor-Leste atuam sem respeitar as leis e valores democráticos e com “total impunidade”.

“Alguns senhores reclamam para si poderes que não têm, e atropelam todos os princípios e valores que norteiam sociedades democráticas. Já chamei a atenção dos responsáveis dessas instituições, mas continuam a agir com total impunidade”, disse José Ramos-Horta, numa mensagem enviada à Lusa.

“Sobre estas instituições não tenho nenhum poder. Se o tivesse, eu sei o que faria”, acrescentou na mensagem.

ASP // VM

Lusa/Fim

Foto, daqui.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2023

Tribunal ohin haruka halo buska iha rezidensia Longuinhos Monteiro nian iha Díli

Timor Hau Nian Doben

Tuir ajensia Lusa , ajentes hosi Polísia Sientifica Investigasaun Kriminal (PSIC) halo ohin buska ida, ho mandato judicial, ba rezidensia Longuinhos Monteiro nian iha Díli tanba tribunal hanoin katak  buska sira seluk iha uma Longuinhos nian iha Likisa ilegal.

Fonte ida hosi ekipa defesa Longuinhos Monteiro, atual assessor ba Prezidente da Repúblika Ramos-Horta, konfirma ba Lusa katak PSIC hahu halo buskas iha Monteiro nia uma iha Díli besik 18:00 oras local.

PCIC, Servisu Nasional Intelijensia no PNTL maka halo buska iha rezidensia Longuinhos Monteiro nian iha Díli no nia hetan detensaun horseik. 

Iha sorin seluk, Tribunal Distrital Díli ohin haruka libertasaun imediata ba Longuinhos Monteiro, tanba konsidera katak buska ke autoridade halo horseik  “ilegal”.

“Há’u determina liberdade imediata ba arguido Longuinhos Monteiro, tanba ha’u considera ke detensaun ida ne’e ilegal”, refere despacho ida ke Lusa hetan.

Horseik autoridade sira halo buskas iha Longuinhos Monteiro uma iha Likisa no sira hetan kilat fogu ilegal no munisoens iha niniaa rezidensia iha Likisa maibe Monteiru dehan katak buska ida ne’e ilegal tanba laiha mandato judisial. 

PCIC kaptura ona Ramos-Horta nia asessor, Longuinhos Monteiro


Timor Hau Nian Doben

Asessor Prezidente da Repúblika Ramos-Horta nian, Longuinhos Monteiro,  hetan kapturasaun horseik hosi  Polísia Sientifica Investigasaun Kriminal (PSIC) tanba autoridade sira hetan kilat fogu ilegal no munisoens iha niniaa rezidensia iha Likisa.

Tuir ajensia Lusa Longuinhos Monteiro hetan deteinsaun horseik no PCIC halo primeiru interrogatoriu no hetan detensaun to'o Tribunal Distrital Díli aplika ba nia medidas koasaun no tuir lei medida sira ne'e tenke fo'o sai iha 72 oras nia laran.

Iha rusga ke autoridade sira halo iha Monteiro nia uma, sira hetan "kilat balun, munisaun, hanesan pistola ida, kilat nain tolu tan, arco automático ida no munisoes ba kilat oin seluk ne'ebe inklui ba  m16 no Glock19".

Timor Hau Nian Doben rona deputadu ida ne'ebe lakoi fo'o sai naran, nia husu ba Tribunal ba aplika prizaun preventiva  tanba krimi Longuinhos komete, krimi ida ke boot no bele jera instabilidade iha Timor-Leste.

"Ha'u espera katak sira aplika prizaun preventiva ba Longuinhos Monteiro tanba nia komete krimi boot ida hasoru nasaun Timor-Leste no kilat sira ne'e nia rai atu halo saida? Ema hanesan Longuinhos tenke halo investigasaun profundu no klean tanba nia bele halo servisu ba ema seluk hodi kria instabilidade no hatauk povu", dehan. 

Fonte ida ne'e mos husu ba Prezidente Ramos-Horta " atu suspende asessor ida ne'e to'o investigasaun ramata no Tribunal foti desizaun ida, tanba Prezidensia Repúblika la bele iha asossiasaun ho ema ida ke sai suspeito hanesan kriminozu ida nomos hetan alegasaun katak komete krimi ida ke bele kria instabilidade iha rai laran".

Longuinhos Monteiro hetan kargu oin-oin bainhira Xanana no CNRT  ukun: Ministru Interior no Komandante Polisia Nasional Timor-Leste no nia ema ke besik teb-tebes Xanana Gusmão,  ema barak akuza Longuinhos hanesan autor ida ba krimi boot ida iha rai laran, krizi 2006.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2023

Data das próximas eleições legislativas em Timor-Leste envolta em polémica

Visão, Lusa

A marcação da data das próximas eleições legislativas em Timor-Leste está a causar polémica, com diferenças de opinião sobre o calendário, tendo o assunto dominado uma reunião de hoje entre o primeiro-ministro e o presidente do Parlamento.

Em causa está a posição do executivo e das bancadas do Governo no parlamento de que as eleições devem ser mais tarde no ano e não já em maio, como o Presidente da República, José Ramos-Horta, disse estar “inclinado” para decretar.

Na semana passada, José Ramos-Horta disse à Lusa que tenciona anunciar a data das eleições em fevereiro, explicando que está “inclinado” para que a votação seja em maio.

“Lendo e estudando precedentes que tenho à minha frente, uma primeira inclinação é para a realização das eleições em maio de 2023. As últimas eleições decorreram em 12 de maio de 2018 e cada legislatura só pode ter cinco anos de existência”, disse José Ramos-Horta, em declarações à Lusa.

Fontes da Presidência da República admitiram à Lusa que as eleições poderiam realizar-se num dos dois primeiros fins de semana do mês de maio.

A questão da marcação das novas eleições legislativas foi um dos temas que dominou hoje uma reunião entre o primeiro-ministro, Taur Matan Ruak, e o presidente do Parlamento Nacional, Aniceto Guterres Lopes.

“É competência do Presidente da República definir a data das eleições, mas tem que ser sob proposta do Governo, porque a lei diz isso claramente. A constituição diz que o Presidente da República decreta o dia da eleição com base na proposta do calendário eleitoral do Governo, então esta é que e a lei”, disse Aniceto Guterres aos jornalistas depois da reunião.

“Agora depende do Governo porque o Governo é que realiza as eleições, sabe como está a situação e se as condições estão preparadas. Portanto, a data das eleições o Governo é que sabe”, afirmou.

Fonte da Presidência da República disse à Lusa que os comentários de Aniceto Guterres Lopes são uma interpretação errada da lei, notando que a constituição timorense define que é da competência exclusiva do Presidente da República “marcar, nos termos da lei, o dia das eleições (…) para o Parlamento Nacional”.

A lei eleitoral para o Parlamento Nacional, publicada em 2006 e revista quatro vezes — a quinta proposta de alteração foi concluída recentemente pelo Governo e ainda não está em vigor — define que “o Presidente da República, ouvidos o Governo e os partidos políticos com assento parlamentar, fixa, por decreto, a data da eleição dos Deputados ao Parlamento Nacional, com a antecedência mínima de oitenta dias”.

Fontes da Presidência da República recordam que as opiniões quer do Governo quer dos partidos “não são vinculativas”.

A mesma lei explica, posteriormente, que “o Secretariado Técnico da Administração Eleitoral (STAE) faz publicar no Jornal da República o calendário das operações eleitorais nos oito dias seguintes à publicação do decreto” de marcação da data do voto.

Crucial para o debate jurídico são igualmente, segundo fontes judiciais, dois artigos da constituição, incluindo o que determina que “os Deputados do Parlamento Nacional têm um mandato de cinco anos”.

Na situação atual, porém, Aniceto Guterres Lopes refere-se igualmente ao artigo 99, especialmente porque o atual parlamento surgiu na sequência de eleições antecipadas, convocadas em 2018.

“No caso de dissolução, o Parlamento Nacional eleito inicia nova legislatura, cuja duração é acrescida do tempo necessário para se completar o período correspondente à sessão legislativa em curso a data da eleição”, refere a lei.

A legislatura em curso, a quinta, e o mandato dos atuais deputados, começou oficialmente a 13 de junho de 2018.

Acresce ainda o regimento do Parlamento Nacional que determina que cada sessão legislativa começa a 15 de setembro e termina a 14 de setembro do ano seguinte, com o período “normal de funcionamento a decorrer entre 15 de setembro e 15 de julho” do ano seguinte”.

Pareceres preparados para a Presidência da República, a que a Lusa teve acesso, defendem que a data de marcação das eleições deve ter em conta “o superior interessa nacional”, especialmente no atual enquadramento económico e social do país e do contexto internacional.

Marcar as eleições em maio, referem, tem que ter em conta o tempo necessário para garantir a formação e tomada de posse do novo Governo, a aprovação das Grandes Opções do Plano, eventual Orçamento Geral do Estado (OGE) retificativo para este ano e a aprovação do OGE para 2024, evitando que o país comece o próximo ano em duodécimos.

ASP // SB

Assessor Ramos-Horta nian no membru senior CNRT, Longuinhos Monteiro, subar kilat barak iha nia uma - Vídeo

Timor Hau Nian Doben

Longuinhos Monteiro, atual assessor Ramos-Horta nian nomos ema senior CNRT subar kilat barak iha nia uma iha Likisa tuir buska ida ke autoridade polisial halo ohin loron iha nia rezidensia.

Maske lei bandu ema ke laos militar kaer kilat, Longuinhos Monteiro, bebeik hanoin katak nia laos iha lei nia okus tanba nia hetan protesaun masima hosi lider historiku, Xanana Gusmão.

Tuir informasaun ke sirkula iha media sosial, Xanana Gusmão halo kedas intervensaun hodi proteje Longuinhos Monteiro nomos "halo ameasa ba autoridade sira ke halo buska iha Longuinhos nia uma no halo apreensaun ba kilat ke sira hetan".

Tuir Timor Hau Nian Doben fonte ida nia dehan katak," Timoroan hotu-hotu tenki kuidadu tanba Longuinhos ema traidor boot no nia no ninia ema bele kria instabilidade iha ita nia rai laran ka uja kilat hodi halo intimidasaun ba povu no bele mos uza kilat hodi obriga povu vota CNRT".

" CNRT nia boot hamoorok ba poder no ita espera katak krize labele mosu tan hodi oho povu no hakanek ita nia povu doben. Foin ita hare'e ema oho malu fali, ita tenke loke matan didiak. Eka balun bele hakarak estraga ita nia estabilidade", haktuir tan.

"Keta haluha katak ema barak iha CNRT nia laran ke sai autor ba krizi 2006 sei iha kilat barak iha sira nia liman, no ema sira ne'e perigozu tebes, espera katak autoridade bele kaptura sira nia kilat hotu hodi povu moris ho hakmatek", remata.

Longuinhos Monteiro entrega ona nia aan ba autoridade sira hodi submete ba investigasaun hosi autoridade polisial sira. 

Bele hare'e video iha ne'e.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2022

Governu ‘Hasai’ Xanana iha Prosesu Dezenvolvimentu Greater Sunrise

Tempo Timor

Tempotimor (Dili)-Governu hasai lider nasionál, Kay Rala Xanana Gusmão nia involvimentu iha prosesu dezenvolvimentu Greater Sunrise iha Kosta Súl, tanba iha ona regulamentu entre estadu Austrália ho Timor-Leste atu la’o tuir.

Nune’e, governu sei la envolve tán Xanana Gusmão iha prosesu dezenvolvimentu Griter Sunrise nian.

"Tanba, artigu sira la hakerek kona-ba ida ne'e, ne'e entre estadu rua (Austrália no Timor-Leste) iha nivel bilaterral no trilaterál ida ne'e mak regula", dehan Minístru Petroleu Minerais (MPM), Vitor da Conceição, hafoin sorumutu ho Primeiru Ministru, Taur Matan Ruak, iha palásiu Governu, segunda (05/12).

Antes ne'e, Governu iha desizaun kona-ba tratadu fronteira marrítima konsege manán no asina iha tinan kotuk liu ba iha Nova Yorke.

Nia hatutan, kona-ba dezenvolvimentu Kosta Súl ne'e, dokumentu hotu prepara tiha ona no hein kompaña sira servisu tuir regulamentu.

"Ha'u hanoin kona-ba tratadu marrítima ba griter sunrise ne'e, ha'u hanoin halo tiha ona, ne'e sai hanesan referensia legal enkudramentu legal lei, baze ne'ebé dadaun kona-ba dezenvolvimentu do kampu ne'e, ha'u hanoin ida ne'e mak referensia atu halo tuir, ida ne'e de'it, ne'e duni ha'u hanoin ba tratadu marrítima ba griter sunrise hotu tiha ona, klaru dokumentu iha tiha ona, agora servisu tuir ida ne'e de'it", dehan nia.

Nia dehan, novidade ne'ebé presiza hala'o mak aliñamentu entre estadu rua ne'e, tanba ne'e produz ona dokumentu lubuk ida ne'ebé iha ona korkondansia hatun ba joint venture sira ne'ebé halo tra-parte (trilaterál).

"Agora joint venture trilateral, sira atu buka sira nia deferensa ne'e bele konklui ba faze ida bilaterral ne'e, ne'ebé la iha tan problema ho estadu rua ne'e", nia afirma.

Nune’e, dezenvovimentu Griter Sunrise nia progressu la'o nafatin, kona-ba bloku sira uluk halo konkursu públiku, agora iha ona prosesu elaborasaun, negósiasaun ba rai maran no iha tasi laran.

Tanba ne’e, Governu Timor-Leste no Austrália ninia entendimentu la'o di'ak no rejime fiskal dezenvolvimentu Griter Sunrise ne'e, hetan ona konkordansia husi Governu Australia katak, sei regula ho lei Timor nian. (*)

Foto, Facebook.

KM Deside Funsionariu Kontratadu ho Salariu Liu $500 La Simu Gaji 13

Independente - Mariano Mendonça 

DILI: Konsellu Ministru liu husi ninia reuniaun aprova alterasaun pagamentu extra-ordinaria ka gaji 13 ba funsionariu no ajente administrasaun públika. Iha alterasaun ne’e, funsionariu ho kontratu termu sertu ho salariu liu $500 sei la simu gaji 13.

Ministru Prezidensiá Konsellu Ministru (MPKM) interinu no Ministru Finansas, Rui Agostu Gomes informa, alterasaun ne'ebé aprova refere ba funsionariu sira ajente administrasaun públiku, kontratadu administrasaun provimentu no traballador ba administrasaun públika kontratadu termu sertu ho salariu ne'ebé ki'ik.

Nia dehan, governu prevee orsamentu ba gaji 13 ne’e kuaze millaun $16.

"Maibé ida ne'e depende ba Prezidente Repúblika nia promulgaaaun, ita seidauk bele hatene," dehan nia hafoin reuniaun Konsellu Ministru iha Palásiu Governu, Sesta (02/12).

Tuir komunikadu ne’ebé jornal INDEPENDENTE asesu hatete, ho alterasaun ne’ebé KM halo, funsionariu kontratadu sira ho salariu liu $500 sei la simu gaji 13.

“Ho alterasaun ne’ebé aprova agora sei iha diretu ba pagamentu ne’ebé refere funsionáriu sira no ajente administrasaun públika (ho kontratu administrasaun provimentu) no mós traballadór ba Administrasaun Públika kontratadu termu sertu ho saláriu ne’ebé ki’ik husi dolar amerikanu $500 no ne’ebé la presta atividade profisionál iha gabinete ministeriál sira,”

Entretantu, tuir informasaun husi fontes parte governu nian katak, iha 9 Novembru 2021 KM aprova ona dekretu lei ba pagamentu extra-ordinaria. Iha dekretu lei inisiu ne’ebé KM aprova ne’e so funsionariu kontratadu estranjeiru mak laiha direitu ba pagamentu gaji 13.

Iha dekretu lei inisiu ne’ebé KM aprova, fonte ne’e dehan, pagamentu estraordináriu husi saláriu adisionál fulan ida nian sei fó ba funsionáriu, ajente kontratadu sira Administrasaun Públika nian, ba titulár kargu públiku, membru F-FDTL, PNTL, no Sistema Nasionál Intelijente no ba eis titulár no eis-membru órgaun soberania sira.

Maibé, nia hatutan, bainhira lori ba Prezidensia Repúblika, husi parte Gabinete Prezidensia Repúblika husu atu hasai trabaladór sira ho kontratu termu sertu.

“Nunee iha Sesta liu ba KM reune fali. Iha reuniaun ne’e, Ministru Finansas rasik mak defende katak pelumenus traballadór sira ho rendimentu ki'ik liu $500 simu nafatin. Ida nee mós la hatene se Prezidente Repúblika sei promulga ka lae,” dehan nia.

Ramos-Horta kontra pagamentu fulan 13º ba assessor nasional no internasional sira ke simu mais de mil dólares


Timor Hau Nian Doben

Tuir notisia ajensia portuguesa Lusa, pagamentu fulan 13º ba funsionariu publiku nakonu ho polemika depois ke governu supostamente aprova alterasaun ne’ebe esklui trabalhador sira kontratadu ne’ebe simu osan boot liu 500 dólares. 

Esklusaun ida ne’e Governu foin anunsia liu hosi komunikadu imprensa, depois de reuniaun Conselho Ministros horseik, ke refere katak sira aprova alterasaun ida ba diploma kona ba “ pagamentu estraordinariu de fulan ida de salariu adisional ba Administração Pública”.

Ministro da Presidência do Conselho de Ministros, Fidelis Magalhães, dehan ba Lusa katak proposta de alterasaun seidauk haruka ba Prezidente Ramos-Horta, Xefe Estadu simu deit ba promulga ka veta dekreto inisial, ho kariz universal.

“Diploma original haruka ona dia 17 de novembro ho proposta baibain Governu nian. Teknikamente Governu labele halo alterasaun ida bainhira diploma ida ne’e sei hela ho Prezidente da Replublika”, explika ba Lusa.

Fonte balun dehan ba Lusa katak katak alterasau ba dekretu lei tanba Ramos-Horta la konkorda ho aspetu universal medida ida ne’e no sira halo alterasaun ida ne’e maibe la halo konsulta ba Ministeriu Finansas. 

Prezidente da Republika explicou ba Lusa katak “tanba kestaun etika” nia manifesta kontra pagamento fulan 13º ba assessor nasional no internasional sira tanba sira simu salariu boot.

“Hau totalmente a favor ho 13º ba funsionariu hotu-hotu, kontratados nomos temporarius, tanba sira ema ke la manan barak. Maibe hau kontra fulan 13º ba assessor nasional no internasional sira ke simu mais de $1000”, dehan Ramos-Horta.

“Hau mos apoia se la atribui ba Prezidenre, membru governu no deputados, ami hotu manan liu $5000. Maibe hau nunka kontra ba funsionarius, ho kualkuer estatuto”, dehan.

Ministru Finansas, Rui Gomes, dehan ba Lusa katak nia konsidera katak pagamento ida ne’e tenki iha kariz universal, ne’ebe sei kontinua nafatin, no esklui dei’t assessore estranjeiru sira.

“Intensau Governu nian maka subsidiu ida ne’e universal, no la halo diskriminasaun iha traballador sira nia leet. Ne’ebe tenki atribui ba funsionariu, ajente no kontratadu sira, hanesan halo iha tinan kotuk. Traballador sira ne’ebe kontratadu husi Governu sei la compreende nusa maka traballador hotu-hotu laiha direitus hanesan”, explica. 

Iha Facebook  publikasaun balun akuza Ramos-Horta katak Prezidente halo ona veto nomos katak Xefe Estadu ameasa veto, maibe publikasaun sira ne’e hotu-hotu falsu, Horta kontra deit fo’o fulan 13º ba assessor estranjeiru nomos nasional sira ke simu liu $1000 tanba sira nia salariu boot teb-tebes.

Fonte, Lusa

Aban, Governu Halo Lansamentu Subsídiu $200 Iha Dili


Independente - Saturnina Costa

DILI: Governu liu husi Ministeriu Solidariedade Sosial no Inkluzasaun Sosial, hamutuk ho Ministeriu Administrasaun Estatal, aban (06/12), sei hahú lansa pagamentu subsídiu fim-do-anu $200 ba uma-kain sira, iha Kapital Dili.

Diretór Jéral Administrasaun no Finansas, iha MSSI, Rui Manuel Expostu, hatete, lansamentu ne’e sei hahú uluk iha Suku Becora, Camea, Lahane Oriental no Suku Comoro, iha Munisípiu Díli.

Hafoin lansamentu, ekipa pagamentu kontinua hala’o kedas pagamentu ba uma-kain elijivel, maibé ba Munisípiu sira seluk inklui RAEOA, pagamentu sei realiza iha Loron 12 Dezembru. Tuir kalendáriu pagamentu subsídiu ida ne’e sei remata iha loron 22 Dezembru 2022.

“Bazeia ba Dekretu Lei Nú. 37/2022, 25 de Maiu ne’ebé hetan alterasaun husi Dekretu Lei Nú.82/2022, 11 de Novembru katak, uma-kain ou benefisiáriu sira ne’ebé mak elijivel ba programa subsídiu fim-do-ano mak, uma-kain hirak ne’ebé, la iha ninia membru uma-kain hetan rendimentu kada fulan ho forma regular dolar amerikanu $500 ou liu, no mós uma-kain ne’ebé rejistu ona iha livru rejistu uma-kain iha suku iha teritóriu nasionál to’o loron 28 Fevereiru 2022,”dehan nia liu husi konferensia imprensa, iha Edifísiu Sentrál MSSI-Kaikoli-Díli, segunda ne’e (05/12).

Diretór Jerál hatutan, ba benefisiáriu hotu ne’ebé elijivel sei priense formuláriu deklarasaun rendimentu ki’ik husi dolar amerikanu $500 ka liu, iha fatin pagamentu molok simu pagamentu subsídiu refere.

Aleinde, ba benefisiáriu sira ne’ebé ho rendimentu dolar amerikanu $500 no nia simu subsídiu ida ne’e, mak nia sei sujeitu ba responsabilidade kriminál tuir lei haruka.

Nia haktuir, bainhira iha prosesu pagamentu, dokumentus ne’ebé benifisiariu sira sei lori mak hansan, fixa familia original, kartaun eleitoral, bileti identidade no mós pasaporte.

Enkuantu, atu realiza pagamentu ida ne’e, MSSI servisu hamutuk ho Banku Nasionál Komersiu Timor-Leste (BNCTL-Sigla Portugés), hodi transporta osan ba Postu Administrativu sira, hafoin autoridade Munisipal ho ekipa pagamentu sei ba foti osan ne’e, hodi ba iha Suku hanesan fatin ba pagamentu nian.

Entretantu, tuir dadus finál ne’ebé Ministériu Administrasaun Estatal (MAE) envia ba MSSI, iha uma-kain hamutuk 339,954 mak elijivel ba subsídiu ida ne’e. ho nia orsamentu ne’ebé atu selu hamutuk dolar amerikau U$ 67.990.800.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2022

A conflituosa relação de Ramos Horta com a verdade


José Lopes - Observador 

O agora Presidente, repetente, da República Democrática de Timor-Leste continua a cultivar um estilo de quem não cura das minudências da factualidade.

Quando nos idos de 1980 José Ramos Horta (RH) era apenas o embaixador itinerante do que ele e os seus acólitos tinham batizado como causa maubere, entendeu por bem brunir os pergaminhos revolucionários inventando-se um pai anti-salazarista e anti-fascista.

Fê-lo numa obra dada à estampa pela primeira vez em 1986 sob o título Funu: The Unfinished Saga of East Timor. Reimpressa em 1996 contou, desta feita, com um prefácio de Noam Chomsky, entusiástico defensor de outra saga iniciada na mesma região escassos três meses antes da de Timor-Leste: a de Pol Pot no Cambodja.

Em 1994 as publicações Dom Quixote lançaram a versão portuguesa, já enriquecida com o referido prefácio e beneficiando  de contributos de Xanana Gusmão – Amanhã em Dili – onde, na pagª 42, se pode ler:

“O meu pai, Francisco Horta, era sargento da marinha nos anos trinta e teria ficado pela sua terra natal, Figueira da Foz, se não lhe tivesse ocorrido juntar-se à revolta dos barcos no Tejo em 1936, que deveriam seguir para Espanha para combater ao lado dos republicanos. Logo a seguir foi despachado para Timor-Leste de onde nunca mais saiu e onde morreu em 1970.”

Porém, da historiografia que, entretanto, foi surgindo resulta:

Francisco Horta (pai de RH) nasceu a 25 de agosto de 1902 na freguesia da Pena em Lisboa.
Num relatório da PIC (Polícia de Investigação Criminal) remetido ao Governador de Timor, Ferreira de Carvalho, em 1940, com informação sobre o universo de deportados existente naquela colónia, é referido como tendo sido ajudante de chauffeur,ligado à Legião Vermelha, várias vezes detido, informador da Polícia, embora pouco fiável.

É deportado para Timor, onde chega em outubro de 1931, a bordo do navio Gil Eanes, que transportava deportados políticos e sociais.

Em 1942, aquando da invasão dos Japoneses, vai para a Austrália onde fica internado num campo de refugiados, surgindo o seu nome num relatório elaborado pelo cônsul Brilhante Laborinho.
Regressa a Timor em 1945 e beneficia, tal como todos os outros deportados, quer sociais quer políticos, de uma amnistia e da possibilidade de vir para Portugal, o que faz embarcando em Dili a 8 de dezembro de 1945 no navio Angola.

Em 1947 requer o seu regresso a Timor para o que teve o aval do então Governador do Território, Óscar Ruas. Neste requerimento diz ser “marítimo” e ter nascido em 1906 (talvez para que a sua idade real – 45 anos – não fosse um óbice ao requerido).

Veio a ser funcionário público, tendo feito carreira na administração colonial onde atingiu a categoria de adjunto de chefe de posto.

Quer Madalena Salvação Barreto, no âmbito da sua Tese de Mestrado Timor do século XX : deportação, colonialismo e interações culturais , quer José António Cabrita, na preparação do seu livro Na lonjura de Timor, levaram a cabo buscas no Arquivo Histórico da Marinha e no Arquivo Histórico-Ultramarino, para tentarem localizar qualquer expediente ou documentação que respeitasse a algum Sargento Francisco Horta, mas em vão.

Também Adelino Rodrigues da Costa, autor de Os navios e os marinheiros portugueses em terra e nos mares de Timor confessa, desolado, na nota 450 do seu livro (pagª  194) “… A pedido de José Ramos Horta procurámos o processo individual de seu pai na Biblioteca Central da Marinha – Arquivo Histórico, mas sem sucesso”

Não se pode excluir que, quando escreveu Funu…, RH se tenha limitado a reproduzir, a propósito do senhor seu pai, uma lenda que corresse no seio da família.

E também será compreensível que, tendo convivido com militares portugueses que a 24 de abril de 1974 pugnavam por um Portugal uno e indivisível, defensor da civilização cristã e ocidental e, dois dias depois, deixaram de conseguir suportar os valores burgueses e se tornaram ferozes adversários do imperialismo capitalista, o jovem revolucionário RH se tenha convencido de que o passado é maleável e adaptável à evolução dos nossos interesses.

O que já se torna mais difícil de aceitar é que tenha conseguido ignorar, ao longo dos quase 40 anos que já leva a alimentar o “mito do pai marinheiro revolucionário”, que Francisco Horta não só saiu de Timor, voltando a Portugal, como, ao fim de um ano de estada, requer o regresso a Timor, onde vem a seguir uma carreira pouco consentânea com dissidências políticas. Mas, sobretudo, que a primeira chegada de Francisco Horta a Timor tenha ocorrido cinco anos antes da “revolta dos marinheiros”, que acontece no porto de Lisboa a 8 de setembro de 1936.

Talvez devido a estes antecedentes, o agora Presidente, repetente, da República Democrática de Timor-Leste continua a cultivar um estilo de quem não cura das minudências da factualidade. Tal reflete-se na entrevista a um canal de televisão, concedida aquando da recente visita oficial com que nos honrou, onde prestou os seguintes esclarecimentos:

A propósito da vaga de imigrantes timorenses (minutos 1,30 a 4).

Que conhece o problema de fundo, que é “um fenómeno muito frequente pelo mundo fora” – dado o contexto, é razoável presumir que se refere ao fenómeno das migrações clandestinas. Porém, ao descrever o “problema de fundo”, fala de candidatos à obtenção da nacionalidade portuguesa que, para acelerar o moroso processo, recorrem aos serviços de agências de viagens que: especulam no preço do bilhete de vinda, fornecem um bilhete de volta falso, cobram uma comissão para a obtenção de um emprego que não existe.

Ora, este quadro nada tem a ver com as práticas das redes de migração clandestina. Desde logo porque nada tem de clandestino; é feito às escâncaras. O que ressalta é a prática de vários crimes (especulação, burla…) cometidos no território da República Democrática de Timor-Leste, pelo que competiria às autoridades deste Estado tomar as medidas necessárias a pôr-lhes cobro.

A propósito do seu co-laureado Ximenes Belo (minutos 9 a 11).

Aqui, é forçoso reconhecer que a dimensão diplomática do cargo de supremo magistrado da nação timorense impede o seu actual titular de poder admitir: que Dili é um meio demasiado pequeno para que tais práticas, tão reiteradas e tão prolongadas no tempo não se tivessem tornado um segredo de polichinelo, “descoberto” por um tablóide holandês passados 20 anos; que, se nada se soubesse, seria de ter achado muito estranho que um Bispo, figura pública de projecção mundial, saudável, com 54 anos, que entrava em frenesim à vista de uma câmara ou de um microfone, se tenha subitamente calado e desaparecido; qualquer relação com as surdas lutas de poder que surgiram entre a Igreja, detentora de um efectivo poder fáctico, e os primeiros governos pós-independência, liderados por figuras que tinham desaparecido de Timor em 1975, com um poder meramente formal e dificilmente exercido.

Porém, ficar-se pelo muito respeito pelas vítimas e afirmar que só há três partes: estas, o Bispo e a Santa Sé, obliterando novamente o papel que deveria caber ao pilar Justiça do Estado Timorense, volta a deixar deste uma imagem muito negativa. E até a ideia, ao tanto querer driblar a realidade dos factos, de o seu país ser, porventura, um estado falhado, obra de dirigentes falhados, por muito dinheiro do petróleo que lhe despejem em cima.

Timor-Leste pagou mais de 24MUSD pelo ferry Haksolok entre 2014 e 2018 - auditoria



As autoridades timorenses pagaram mais de 24,5 milhões de dólares entre 2014 e 2018 para o projeto de construção do ferry Haksolok, segundo uma auditoria da Câmara de Contas a que a Lusa teve acesso.

O relatório de auditoria à Região Administrativa Especial de Oecusse-Ambeno (RAEOA), referente aos anos entre 2016 e 2018, dedica mais de 50 páginas a uma análise detalhada do polémico projeto, que ainda não foi terminado.

“No âmbito desde projeto foram assinados pelo menos 23 contratos, adendas e acordos, tendo sido feitos pagamentos no valor total de 24,5 milhões de dólares [sensivelmente o mesmo em euros], dos quais 94,1% pela RAEOA, nos cinco anos compreendidos entre 2014 e 2018”, refere o relatório.

“Daquele valor total, foram pagos 21,38 milhões de dólares à Atlanticeagle, dos quais 18,29 milhões relativos à construção do ferry e 3,1 milhões referentes aos pontões e passadiços”, nota ainda.

A ‘fatura’ do projeto inclui ainda pagamentos de quase 1,1 milhões de dólares à ISQ, de 1,44 milhões de dólares à ENVC/EMPORDEF e de quase 154 mil dólares (entre 2016 e 2018) a Luís Pité, identificado como “representante do armador”.

“Os responsáveis não enviaram a este tribunal os documentos inerentes às despesas suportadas pela RAEOA com o processo relativo ao ferry, durante os anos de 2019 a 2021”, refere a auditoria.

O Haksolok é um dos projetos mais polémicos dos últimos anos em Timor-Leste, causando intensos debates e fortes críticas a Mari Alkatiri, primeiro presidente da RAEOA.

A CC considera que a “urgência foi má conselheira” na decisão de agosto de 2014 de adjudicar por ajuste direto o contrato para a construção à Atlanticeagle, notando que as razões para a escolha da empresa “não são conhecidas, sendo este processo caracterizado pela total falta de transparência em que ninguém assume responsabilidades”.

Refere que a Atlanticeagle foi constituída em junho de 2012 para concorrer à concessão dos Estaleiros Navais do Mondego, que lhe acabaria por ser atribuída em setembro.

Logo em abril do ano seguinte, porém, foram publicadas várias notícias na imprensa portuguesa, segundo as quais os estaleiros tinham sido "entregues a empresa sem dinheiro” ou “cedidos a empresa falida”.

“As dificuldades vividas por esta empresa eram do conhecimento público em Portugal. Não obstante, nada disto terá preocupado os responsáveis da Atlanticeagle quando, pelo menos ao longo do ano 2014, procuraram obter tal contrato junto do Governo de Timor-Leste”, refere o relatório.

“De igual modo, aquele que viria a ser o representante do Armador, Luís Pité, não terá avisado as autoridades timorenses em relação às dificuldades da empresa”, sublinha.

O contrato para a construção do Haksolok foi assinado com a Atlanticeagle em setembro de 2014 (ainda pelo Governo central liderado por Xanana Gusmão) e os trabalhos arrancaram em 2015, mas estão parados há vários anos.

Depois de um pedido de insolvência, a AtlanticEagle Shipbuilding viu aprovado um Plano Especial de Recuperação e em 2021 Timor-Leste anunciou um investimento de 11,8 milhões de euros nos Estaleiros Navais do Mondego (ENM), na Figueira da Foz. O atual sócio maioritário da  AtlanticEagle Shipbuilding é uma sociedade criada pela RAEOA.

Na análise da operação, a CC recua a 2005 e ao investimento previsto do Governo Regional dos Açores na construção dos ferries Atlântida e Anticiclone, projeto adjudicado aos Estaleiros Navais de Viana de Castelo (ENVC).

A empresa responsável pela elaboração dos “pré-projetos” (ou anteprojetos) dos navios foi a SCMA - Sociedade de Consultores Marítimos, Lda., que tem como sócio-gerente, refere a CC, João Moita, “engenheiro ligado ao processo de construção do Haksolok”.

Os auditores referem que a SCMA “prestava serviços à mesma empresa cujo trabalho devia fiscalizar”, sendo que em 2009 o projeto base do Anticiclone não tinha sido ainda aprovado, acabando mesmo por não ser concluído.

“Os blocos de aço que haviam já sido fabricados pelos ENVC foram vendidos como sucata e os equipamentos foram vendidos ao Estado de Timor-Leste”, nota.

O relatório ‘salta’ para 2014, quando o Governo timorense decide enviar uma equipa técnica do Ministério dos Transportes e Comunicações (MTC) “com o objetivo de proceder a uma avaliação de equipamentos e materiais destinados à construção de um navio para Timor-Leste, apto a fazer a ligação entre Díli e a região de Oecusse”.

A CC considera que tanto a AtlanticEagle como Luis Pité tentaram convencer Timor-Leste a comprar os equipamentos – alguns deles com mais de seis anos na altura e já obsoletos -, estimando que o seu valor seria de cerca de sete milhões de dólares.

Para a CC, um valor que “está longe da realidade, sendo o valor dos equipamentos em questão muito inferior ao montante apontado pela empresa”, peloque “a Atlanticeagle estava apenas a vender ilusões conforme se demonstra neste relatório, com a ajuda do comandante Luís Pité”.

O contrato de compra do equipamento seria celebrado em novembro de 2014, tendo sido feito um primeiro pagamento de 1,44 milhões de dólares, mas sem que, pelo menos até janeiro de 2016, tenham sido entregues todos os equipamentos previstos.

A CC considera que toda a questão se “reveste de surrealismo”, questionando os argumentos de Luís Pité, que insistiu, em 2021, sobre a necessidade de ‘atualizar’ os equipamentos para cumprir nova legislação.

“É o mesmo Luís Pité que afirma, no seu relatório de dezembro de 2017, que a regulamentação em questão está em vigor desde 7 de julho de 2010, ou seja, aquando da compra, em 2014, dos equipamentos pelo MTC, a regulamentação estava em vigor há vários anos. Como 'homem do mar' deveria saber que os motores adquiridos pelos ENVC, segundo o próprio afirma, no ano 2006, chegados a 2014, não cumpriam com a regulamentação internacional, facto que impediria a sua certificação”, refere o relatório.

“A compra dos equipamentos em 2014 por Timor-Leste (…) veio a revelar-se uma decisão desastrosa para o Estado de Timor-Leste”, refere, notando que foi Luis Pité “quem recomendou” essa compra.

 ASP // JH

Lusa/Fim

Câmara de Contas responsabiliza ex-presidente de Oecusse por adjudicações ilegais


Lusa – A Câmara de Contas timorense responsabiliza o ex-presidente da Região Administrativa Especial de Oecusse-Ambeno (RAEOA) Mari Alkatiri por um conjunto de contratos adjudicados por ajuste direto, e que considera ilegais, entre 2016 e 2018.

“Verificaram-se na presente auditoria situações de incumprimento da lei, a maioria das quais em 2016, que resultaram de decisões do presidente da Autoridade. Está em causa a atribuição indevida de isenções fiscais no âmbito do pagamento de suplementos remuneratórios e a adjudicação direta de contratos sem fundamentação legal e sem a realização de consultas de mercado e de pesquisa quanto aos preços propostos pelas empresas para fornecimento de bens e serviços, bem como na execução de obras”, refere a auditoria a que a Lusa teve acesso.

“Apesar da melhoria verificada no controlo sobre a execução dos contratos para supervisão das obras e sobre as faturas apresentadas pelas empresas em questão, constatou-se, à semelhança do que havia acontecido na auditoria anterior, a realização de pagamentos ilegais e indevidos no âmbito destes contratos”, sustenta.

O relatório de auditoria à Região Administrativa Especial de Oecusse-Ambeno (RAEOA), referente aos anos entre 2016 e 2018, é o segundo depois de uma primeira auditoria aos anos de 2014 e 2015, abrangendo um período em que a região era liderada por Mari Alkatiri, substituído entre novembro de 2017 e junho de 2018 por Arsénio Bano.

O relatório inclui um extenso mapa do que a CC considera serem “eventuais infrações financeiras/apuramento de responsabilidades, considerando terem sido violadas várias normas em pagamentos “ilegais e indevidos”.

No total está em causa um valor total de mais de 8,4 milhões de dólares (sensivelmente o mesmo em euros), incluindo adjudicações diretas a empresas como a Interway – relativos à clínica construída no local – e a empresas de fiscalização como a ISQ e Tecproeng, entre outras.

No relatório, a Câmara de Contas nota que, na sequência da primeira auditoria (que abrangia os anos de 2014 a 2015) foram aplicados procedimentos de controlo “relativos às áreas do aprovisionamento, das finanças e do património, que resultaram num maior controlo sobre estas áreas e no cumprimento, na generalidade dos casos, da lei aplicável”.

“Sem prejuízo das situações detetadas ao longo dos três anos objeto da auditoria (2016 a 2018), a generalidade das despesas realizadas foi legal e regular, em resultado da existência de um maior e mais eficiente controlo sobre as despesas e receitas da RAEOA”, refere o relatório.

Os auditores da CC sublinham ainda o que consideram ser “o rigor aplicado pela RAEOA no controlo sobre a execução dos contratos para a execução das obras públicas, nomeadamente ao nível do controlo sobre a qualidade dos trabalhos realizados”.

“A aplicação de penalizações às empresas de construção pelo incumprimento dos prazos contratualmente definidos para a realização das obras, que se traduziram na assunção por estas empresas dos custos adicionais com a supervisão das obras, salvaguardou o interesse público”, refere.

“Não podemos deixar de sublinhar também, que, pelo menos que seja do conhecimento deste tribunal, terá sido a primeira vez que foram aplicadas tais penalizações na execução de obras públicas em Timor-Leste. Contudo, o mesmo rigor não foi aplicado no controlo realizado sobre a execução dos contratos para supervisão dessas mesmas obras, o que permitiu a realização de pagamentos ilegais e indevidos”, explica.

ASP // JH 

Lusa/Fim

quarta-feira, 23 de novembro de 2022

PJ detém 40 pessoas por suspeita de tráfico humano em rede que explorava centenas de imigrantes no Alentejo

Observador 

PJ desfez uma rede de tráfico humano sediada em Beja que escravizava centenas de pessoas em campos agrícolas no Alentejo. Solicitadora criava documentos falsos e fazia contratos com empresas fantasma.

Cerca de 40 pessoas estão a ser detidas numa megaoperação da Polícia Judiciária (PJ) por suspeitas de submeterem centenas de trabalhadores estrangeiros a condições de semi-escravatura em campos agrícolas no Alentejo, está a noticiar a CNN Portugal. Em causa estão os crimes de tráfico de seres humanos, associação criminosa e branqueamento de capitais.

A operação da PJ, que está a decorrer e envolve mais de 400 elementos e 60 buscas do DIAP de Lisboa, desfez uma rede de tráfico humano sediada em Beja. As vítimas eram abordadas nos países de origem — na maioria dos casos, Ucrânia, Roménia, Índia, Paquistão e Timor — e convidadas a virem para Portugal, onde lhes esperaria um salário, boas condições de trabalho e alojamento.

A realidade, no entanto, era outra: segundo a CNN Portugal, os supostos empregadores ficavam com os salários das vítimas, afirmando que tinha uma dívida de milhares de euros com a empresa por causa dos gastos com a viagem para Portugal e com o alojamento. Os trabalhadores tinham pouco tempo de descanso, eram submetidos a trabalhos pesados e ameaçados com violência física — contra eles e contra as famílias.

Os líderes da rede serão de origem romena e alegadamente distribuem os lucros por todos os membros da organização, que inclui uma solicitadora portuguesa que trabalhava na vila alentejana de Cuba. A sua função seria a de falsificar documentos para os trabalhadores e criar empresas fantasma com quem eles celebrariam contratos de trabalho. Depois, os empregadores compravam produtos de luxo em nome de terceiros.

As primeiras buscas, na casa onde os trabalhadores eram alojadas e no escritório da solicitadora, foram efetuadas às quatro da manhã, adianta a CNN Portugal. Os trabalhadores foram retirados do local em carrinhas da polícia e terão sido levados para uma tenda de campanha montada pela PJ para prestar declarações sobre as condições em que viviam. É possível que lhes seja concedido uma autorização de residência especial para vítimas de tráfico de pessoas. Já os detidos estão a ser levados para a PJ em Lisboa.

Em declarações ao canal da televisão, a mulher de um dos detidos explicou que a Polícia Judiciária partiu a porta da casa da família para ir ao encontro do homem: “Eu estava a domir na cama com a minha filha, o meu marido estava noutro quarto. Perguntei: ‘O que se passa? O que foi?’. Não esperaram por eu dizer mais qualquer coisa, bateram no meu marido, puseram aquelas coisinhas [algemas] e levaram-no“. A mulher confirmou que é da Roménia, assim como o marido, mas recusou que algum deles traga para Portugal trabalhadores de outros países para Portugal: “Eu só trabalho no campo, na azeitona. Ele também”.

segunda-feira, 21 de novembro de 2022

PNTL Kontinua Blokeiu Estrada Diresaun UNTL

Timor Post-  Beatriz Belo 

DILI (timorpost.com) – Polisia Nasionál Timor- Leste (PNTL), liuhusi Unidade Polisia Tránzitu, Segunda (21/11), kontinua blokeiu estrada públiku diresaun Universidade Nasionál Timor-Lorosa’e (UNTL).

Tuir Observasaun Media Online Timor Post, iha terrenu, iha oras tuku 09:00 dadeer parte PNTL taka estrada públiku iha area resintu UNTL nian, relasiona ho Estudante sira-nia asaun PasíRku kontra Parlamentu Nasionál (PN), atu sosa karreta ho laptop ba deputadu sira..

Enkuantu iha area resintu UNTL, kuaze nakonu ho Polisia Nasionál Timor-Leste (PNTL), Unidade Polisia Maritima (UPM), Unidade Espesiál Polisia (UEP), Unidade Polisia Fronteira (UPF) no BOP, hodi asegura no bandu estudante Aliansa Maubere Nasionál (AMN), atu la bele halo Manifestasaun iha area resintu UNTL nian.

Nune’e mós, Polisia Nasionál Timor-Leste balun ho karreta hala’o patrulla iha area resintu UNTL nian.

Maski, PNTL bandu estudante sira ne’ebé hamahan iha Aliansa Maubere Nasionál (AMN), labele halo asaun PasíRku kontra Parlamentu Nasionál, atu Sosa karreta ho laptop ba deputadu, maibé sira kontinua mantein halo asaun PasíRku ne’e iha area resintu UNTL.

Entretantu antes ne’e Primeiru Ministru (PM), Taur Matan Ruak, agradese ba Juventude no estudante sira ne’ebé halo manifestasaun hodi kontra Parlamentu Nasionál (PN), atu labele sosa Karreta no Laptop ba Deputadu no Deputada sira.

“Ha’u hakarak aproveita agradese ba ita-nia joven sira ne’ebé halo manifestasaun maibé ohin sira proibidu ne’e sinál di’ak, tanba ha’u preokupa tanba ita-nia oan sira ne’ebé aban- bainrua sai Prezidente, Prezidente Parlamentu no sai Primeiru Ministru, inklui sai deputadu/deputada inklui sai Governante,” hateten Taur Matan Ruak, Iha Parlamentu Nasionál, Kinta kalan (17/11).

Nia dehan, nia parte preokupa tanba liafuan sira ne’ebé sai husi estudante no joven manifestante sira-nia ibun ne’e la eduka ka bolu dehan agresaun verbal, ne’e la di’ak no la eduka.

“Tanba buat ne’ebé sai husi ita-nia ibun ne’e hatudu ita ne’e se, entaun liafuan aat mak sai signiRka ita mall edukadu ka ita-nia formasaun la di’ak, entaun ita-nia joven sira labele hanesan ne’e” hateten nia.