quinta-feira, 17 de abril de 2014

Mari Alkatiri: "O fim da pobreza deve ser assumido como uma nova causa nacional"

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Mari Alkatiri

Quando existe uma causa comum o sucesso na obtenção dos resultados que se pretende está na capacidade de quem lidera e galvaniza a luta de unir todos, fazer participar todos, convencer todos a assumirem, conscientemente, qualquer tipo de sacrifício.

Assim se conseguiram vencer as grandes e prolongadas lutas pelas independências nacionais. Todos participaram nos sacrifícios e todos comemoramos resultados.

Mas, após as independências, o conceito de desenvolvimento não deveria reduzir-se às estatísticas do crescimento, da baixa inflação, do número de emprego criado ou desemprego provocado, do PIB, do PNB ou rendimento per capita. 

O foco do desenvolvimento deve ser o ser humano, racional, social, com capacidade de entender, de intervir no processo como parte ativa e não, simplesmente, como instrumento, a vender a sua força de trabalho. (Sublinho aqui que me refiro ao ser humano racional e não àqueles movidos pela irracionalidade e se tornaram fanáticos de todas as tendências).

Depois das grandes causas das independências nacionais, o fim da pobreza deve ser assumido como a nova causa nacional.

Em discursos, os líderes sempre se referem a isso. Mas, o que se tem feito, tem-se revelado, não só ineficaz, como contraditório.

Não vi até hoje um Plano Integrado, com Programas inter-relacionados setorialmente e um modelo de gestão e de administração de modo a converter cada família, em primeiro lugar, e cada cidadão, no objetivo final, como titulares ativos de todo o processo de modo a todos poderem beneficiar de retornos de diferentes naturezas: financeiros, económicos e sociais.

Ė, por esta razão, que a pobreza não acaba, e não acabará se os modelos de desenvolvimento continuarem a ser os mesmos, já sobejamente conhecidos e, no meu ponto de vista, viciados e esgotados.
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